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Amazonas

AM: governo informa a médicos especialistas que não tem dinheiro para pagar contratos

Médicos vão reunir para decidir tomada de ação, além de protocolar documento nos órgãos competentes informando que possíveis mortes pelo caos da saúde serão de responsabilidade do Estado.

Em reunião na noite de quinta-feira, o secretário da Fazenda do Amazonas, Alex Del Giglio, disse a representantes de empresas de medicina especializada que prestam serviços à Secretaria de Estado de Saúde (Susam) que o governo não tem dinheiro suficiente para pagar os atrasados e que também não há perspectiva de pagamento até o final deste mês, mesmo com recursos liberados do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI) . A reunião teve a presença do secretário de de Saúde, Rodrigo Tobias, e 15 profissionais médicos, diretores e representantes das instituições de especialidades que prestam serviços ao Estado.

O presidente do Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (ICEA), José Francisco dos Santos, informou que os profissionais foram abordados coma seguinte expressão: “é com muita tristeza que informamos que o Estado está no vermelho, sem recursos para os profissionais das empresas de especialidades médicas”. Ele disse que “isso é uma vergonha”. E perguntou: “como uma gestão se presta a esse papel?” Para José Francisco, “em seis meses o governo fez gastos milionários com outras despesas e deixa de priorizar a saúde da população, os profissionais que estão na ponta realizando um serviço essencial”.

As empresas médicas informaram que reunião, que já estava agendada teve remarcação e alteração de horários, tinha como objetivo a elaboração de um calendário com data fixa para os pagamentos do ano corrente que já acumulam três meses de atraso, além de acordo para o pagamento das competências referentes ao segundo semestre de 2018, conforme acertado com o então secretário da Susam, o vice-governador Carlos Almeida Filho.

Além do anúncio da falta de recursos para efetuar os pagamentos, os representantes das empresas informaram que estarão indo a Brasília (DF) em busca de apoio do governo federal e que reconhecem que o Estado está próximo de “uma calamidade pública”. Cerca de dois mil médicos que atendem urgência e emergência das unidades de saúde de Manaus estão sendo prejudicados com o constante atraso dos pagamentos, mais a falta dos pagamentos de anos anteriores.

“Nos dias 23 e 24 estaremos em Brasília onde vamos participar de um Fórum no Conselho Federal de Medicina (CFM). O ministro Mandetta vai realizar uma palestra no dia 23, e no dia 24 vamos ter uma audiência exclusiva com ele para expôr o caos da saúde no Amazonas”, informou Vianna.

Para o presidente licenciado do Sindicado dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, “é muito fácil para a gestão anunciar que os médicos fique sem nenhuma perspectiva de receber os salários, já que eles estão com os salários em dia”. “Enquanto isso, o governo faz cotação milionária com buffet para o palácio, paga débitos de exercícios anteriores a determinadas empresas com valores astronômicos”.

Diante da falta de estrutura adequada para a realização do atendimento à população e da falta de material, os médicos informaram que vão elaborar um documento e protocolar no Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e outros órgãos de controle, informando que “os serviços continuarão sendo prestados, mas que, porém, diante de possíveis óbitos, o Estado será responsabilizado”.

A Sociedade de Cirurgia Cardiovascular do Amazonas informou ao governo que vai manter apenas os atendimentos de urgência e emergência e que, se não receber pagamentos em 30 dias, vai suspender todos os atendimentos. A empresa informou que tem cinco meses em atraso, sendo dois de 2017, um de 2018 e dois de 2019. Veja o documento: socceam.

R$ 400 milhões

O deputado Dermilson Chagas (PP) apresentou, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), no último dia 26 de junho, dados que mostram que o Governo do Amazonas já tem em caixa mais de R$ 400 milhões de recursos do FTI que podem ser utilizados para pagamento dos enfermeiros e técnicos de Enfermagem que prestam serviço no Hospital Francisca Mendes, que anunciaram paralisação das atividades para cobrar salários atrasados.
Segundo o Portal da Transparência do Governo, até o dia 25 de junho, o Fundo de Fomento, Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI), arrecadou cerca de R$ 443 milhões, sendo que 40% desse dinheiro deve ser utilizado na saúde. Dessa quantia, 85% devem ser usados para pagamento de empresas terceirizadas que prestam serviço para o setor e 15% para aquisição de materiais. Devido a isso, Dermilson cobra constantemente a falta de cumprimento por parte do Governo que pediu dos deputados autorização do recurso para saúde.
“O Estado tem dinheiro para pagar os enfermeiros e técnicos do Francisca Mendes, então, por que simplesmente o governador não efetua o pagamento? Qual é a prioridade? Se não tivéssemos realizado audiência pública com os médicos que prestam serviços para saúde, o Governo não teria feito o pagamento”, questionou Dermilson.
O deputado ainda afirma que se o Governo já tivesse dado prioridade para saúde com o dinheiro do FTI disponibilizado, não estaria passando por essa dificuldade. “Governador o FTI está no cofre, por favor, use na saúde, pare de gastar com outras coisas desnecessárias. Seja gestor, o povo clama por isso”, ressaltou.

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