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Brasil

Grupos indígenas temem avanço de Flávio em cidades da Amazônia, diz jornal britânico

The Guardian destacou a força eleitoral do senador em Roraima, onde a expectativa de retomada da mineração tem mobilizado parte da população.

O avanço de Flávio Bolsonaro (PL) em cidades da Amazônia brasileira tem provocado apreensão entre lideranças indígenas e ambientalistas, que temem o retorno do garimpo ilegal e o enfraquecimento das políticas de proteção territorial.

Em reportagem publicada nesta sexta-feira, 23, o jornal britânico The Guardian destacou a força eleitoral do senador em Roraima, onde a expectativa de retomada da mineração tem mobilizado parte da população às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, disputado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 25.

Em Mucajaí, no interior de Roraima, Flávio conquistou quase 79% dos votos no primeiro turno, seu melhor desempenho proporcional no estado, onde venceu em 14 dos 15 municípios. A região foi um dos principais pontos de entrada de garimpeiros ilegais na Terra Indígena Yanomami durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Com a intensificação das operações de combate à mineração clandestina no governo Lula, moradores que dependiam economicamente da atividade ilegal passaram a reclamar da redução dos empregos.

Durante sua passagem pela Amazônia nesta semana, Flávio prometeu transformar as riquezas naturais da região em benefícios econômicos para a população.

A partir de janeiro, pelo menos sete dos nove estados da Amazônia brasileira terão governadores alinhados ao bolsonarismo, enquanto o Congresso contará com uma presença ampliada de parlamentares de direita contrários a políticas de proteção ambiental e territorial.

Entre as lideranças indígenas, o cenário é visto como uma ameaça à própria sobrevivência das comunidades. Júnior Hekurari, presidente da Associação Urihi Yanomami, alertou ao Guardian que o apoio ao candidato pode representar consequências devastadoras para os povos indígenas. Segundo ele, moradores de aldeias relataram ter recebido telefonemas de garimpeiros após o primeiro turno, exigindo a liberação de pistas de pouso clandestinas para uma possível retomada das atividades.

“Ao votar 22, os brasileiros estão assinando uma certidão de óbito para os Yanomami e para os indígenas em geral”, afirmou ao Guardian o líder Yanomami Júnior Hekurari, 40 anos.

As informações são da Veja.


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