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Flávio Bolsonaro teve mais votos nos municípios que mais desmataram na Amazônia, mostra estudo

O Instituto Juruá constatou que a correlação entre o desmatamento entre 2020 e 2025 e a distância eleitoral a favor do presidenciável de extrema direita foi “estatisticamente robusta”.

Flávio Bolsonaro tem mais apoio do eleitorado onde o desmatamento na Amazônia Legal é maior. Essa é uma das conclusões de um estudo do Instituto Juruá que cruzou alertas de desmatamento com os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, que deu a vitória ao candidato do PL.

Segundo a análise, a margem favorável a Flávio Bolsonaro em relação ao presidente Lula aumenta nos municípios com o maior registro de desmatamento acumulado entre 2020 e 2025. O trabalho incluiu 769 municípios da Amazônia Legal e mediu “não apenas quem venceu em cada um deles, mas [também] a distância relativa entre os dois”.

Mas, ao dar um zoom nos municípios da Amazônia Legal — onde a direita bolsonarista também ganhou terreno —, o instituto constatou que a correlação entre o desmatamento entre 2020 e 2025 e a distância eleitoral a favor do presidenciável de extrema direita foi “estatisticamente robusta”.

Embora a escolha do voto dependa de múltiplos fatores, o estudo afirma que o desmatamento responde por cerca de 16,6% da variação na distância de votos entre os candidatos à presidência — em outras palavras, evidencia como as transformações do território amazônico impactam a escolha nas urnas e podem favorecer a direita.

Ademais, a associação entre o desmatamento e o voto conservador permanece válida mesmo ao se comparar municípios do mesmo estado, descartando a hipótese de que o padrão decorra “apenas de disparidades regionais”. Isso reforça “a existência de uma geografia política associada à transformação da floresta”, diz o material.

A investigação também apontou que, nos municípios favoráveis a Bolsonaro, a mediana da perda florestal acumulada no período analisado foi de aproximadamente 3,9 mil hectares, enquanto, nos municípios favoráveis a Lula, foi de cerca de 800 hectares.

Ainda que aponte que menos desmatamento não signifique, automaticamente, mais votos para Lula, o trabalho conclui que o resultado “sugere que políticas capazes de reduzir o desmatamento nacionalmente podem produzir resultados ambientais mais rapidamente do que transformam as coalizões sociais e políticas estabelecidas nos territórios”.

A pesquisadora Camila Duarte Ritter, do Instituto Juruá, uma das responsáveis pelo levantamento, entende que a força de Bolsonaro em locais com maior desmatamento não é acidental. “Quando a floresta é convertida em pastagem, não estamos falando apenas de uma mudança na cobertura do solo, mas também de uma transformação nas relações de trabalho, na concentração fundiária, na distribuição da riqueza e nas formas de exercer o poder político”, disse à Mongabay.

Ao projetar riscos caso o bolsonarismo vença, Ritter alertou que, no contexto do desmatamento, “novos atores econômicos ganham influência e isso pode modificar, inclusive, as expectativas da população sobre o que significa desenvolvimento”.


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