Brasil
Eleições: Deputados ligados a igrejas evangélicas perdem votos para bolsonaristas
O bom desempenho ficou para políticos bolsonaristas evangélicos, mas que não são indicados por uma denominação específica.
Figuras tradicionais da política brasileira que atuam como representantes das igrejas evangélicas não conseguiram se reeleger nas assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados. O bom desempenho ficou para políticos bolsonaristas evangélicos, mas que não são indicados por uma denominação específica.
É o caso dos dois deputados federais mais votados: Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) se declaram evangélicos, mas não representam suas igrejas. Os parlamentares tiveram votações expressivas e quebraram o recorde de 1,8 milhão de votos obtido por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018.
Já políticos tradicionais do mundo gospel, como Cezinha de Madureira (PL-SP) —que leva na urna o nome a igreja que o lançou na política, a Assembleia de Deus Brás Ministério Madureira— não se reelegeram. Cezinho viu sua votação cair de 143 mil para 60 mil na corrida eleitoral deste ano.
Representante da Igreja Internacional da Graça de Deus, David R.R Soares também não alcançou a reeleição. Em 2022, o filho do líder religioso R.R Soares obteve 93 mil votos, quatro anos depois chegou a 61 mil e ficou de fora da Câmara.
Para especialistas consultados pelo UOL, os números fazem parte de um cenário mais amplo da força da presença que o bolsonarismo tem ganhado sobre o centrão e a direita tradicional. “Já era um fenômeno em 2022 e 2024, no que toca os evangélicos, mas agora parece estar mais evidente e pegando também o centrão de forma mais ampla”, aponta Vinicius do Valle, cientista político.
Ana Carolina Marsicano, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política, explica que o cenário demonstra não só um “enfraquecimento da religião na política”, mas uma mudança na forma de mobilizá-la.
Para socióloga, o candidato que tem ganhado espaço é aquele que mistura “representação político-religiosa, capaz de conectar pertencimento cristão, disputas ideológicas e circulação nas plataformas digitais”.
Uma pesquisa do Iser (Instituto de Estudos da Religião), em parceria com a Quaest, apontou que 8 em cada 10 religiosos são contra o debate político dentro de espaços religiosos. A maioria —9 em cada 10— também não concorda que suas lideranças liberem a presença de candidatos para fins eleitorais. O levantamento inclui brasileiros que se declararam como católicos ou evangélicos.
Até mesmo quem conseguiu a cadeira no Legislativo viu sua votação cair. O deputado federal Paulo Freire Costa (PL), filho do pastor presidente José Wellington, da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém, foi reeleito com 99 mil votos, contra mais de 161 mil, que conquistou em 2022.
Uma das exceções foi o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Pastor da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do pastor Silas Malafaia, ele viu sua votação mais do que dobrar em comparação com 2022 —de 65 mil para 170 mil. Estreante na Câmara, Guilherme Kilter (Novo-PR) foi o segundo mais votado com estado com 269 mil votos. Ele é líder de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba.
“As candidaturas com maior capacidade de ampliar seu alcance são aquelas que combinam identidade cristã, posicionamento político, presença digital e tradução de pautas morais e culturais para públicos que ultrapassam as próprias comunidades religiosas. Nesse cenário, apresentar-se como “candidato da igreja” ou depender exclusivamente de estruturas denominacionais pode já não ser suficiente”, diz Ana Carolina Marsicano, pesquisadora.
Quedas na votação
Assembleia de Deus Ministério Madureira
Cezinha de Madureira (PL-SP): não foi reeleito deputado federal; obteve 60.596 votos (143.434 em 2022).
Rogério de Madureira (PL-SP): obteve 31.558 votos (não foi eleito).
Oseias de Madureira (PL-SP): não foi reeleito deputado estadual; obteve 42.223 votos (137.205 em 2022).
Elias de Madureira (PL): obteve 32.889 votos (não foi eleito).
Otoni de Paula (PSD-RJ): não foi reeleito deputado federal; obteve 19.364 votos (158.507 em 2022)
Assembleia de Deus Ministério Belém
Paulo Freire Costa (PL-SP): foi reeleito deputado federal; obteve 99.388 votos (161.675 em 2022).
Marta Costa (PSD-SP): foi reeleita deputada estadual; obteve 100.083 votos (170.541 em 2022).
Igreja Universal do Reino de Deus
Edna Macedo (Republicanos-SP): não foi reeleita deputada estadual; obteve 55.086 votos (82.932 em 2022).
Marcelo Crivella (Republicanos-RJ): não venceu a disputa ao Senado; obteve 539.598 votos.
Igreja Internacional da Graça de Deus
David R.R. Soares (Podemos-SP): não foi reeleito deputado federal; obteve 61.366 votos (93.831 em 2022).
Daniel Soares (União-SP): não foi reeleito deputado estadual; obteve 53.812 votos (81.753 em 2022).
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