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Trump cita países latinos e ameaça usar poder militar para proteger os EUA
Trump afirmou que não vai medir esforços para defender os interesses americanos e mencionou a invasão na Venezuela como algo positivo.
O presidente Donald Trump mencionou a Venezuela e Cuba ao afirmar que pode usar o poderio militar para garantir os interesses dos EUA no mundo. A declaração foi dada na 81ª Assembleia Geral da ONU na manhã de hoje.
Trump afirmou que não vai medir esforços para defender os interesses americanos e mencionou a invasão na Venezuela como algo positivo. De acordo com suas próprias estimativas, junto ao país caribenho, os EUA detêm mais da metade do petróleo do mundo.
“Nossas ações na Venezuela provaram que os Estados Unidos não vão mais permitir ameaças à América. Se for necessário, vamos usar o nosso poderio militar para garantir a segurança dos Estados Unidos”, disse Donald Trump, na ONU.
Ao citar os cartéis, Trump os chamou de “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”. “Eles são inimigos em guerra com a civilização. Usam assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror”, declarou. A pauta é sensível ao Brasil, que teve duas facções designadas como terroristas pelos EUA.
Republicano afirmou que o regime cubano “está fracassando como nunca antes e vai cair”. De acordo com ele, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, lidera “negociações avançadas” com Havana, que ainda não deu declarações sobre isso. “Vamos ver o que acontece”, disse Trump.
No momento em que Trump mencionou a “queda” do governo cubano, a delegação do país da América Central se retirou do plenário. Grupo estava na ONU liderado pelo ministro das Relações Exteriores do país, Bruno Rodríguez Parrilla.
Apesar da menção a cartéis de drogas, o americano não citou diretamente o Brasil. Lula, por sua vez, mencionou os EUA ao criticar iniciativas militares na América do Sul e pediu respeito à soberania brasileira no período eleitoral.
Em maio, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) passaram a ser classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A medida foi feita pelo Departamento de Estado, que apontou os grupos como os mais violentos do Brasil.
Meses após iniciar conflito no Irã, Trump diz que “acabou com oito guerras”
Mesmo passando quase 15 minutos falando sobre a guerra promovida no Irã, Trump tentou pregar o papel de um líder que tenta trazer a paz ao mundo. Ele se classificou como um “construtor da paz” e disse que enfrentou ameaças com o poder dos EUA.
O discurso foi feito enquanto a guerra no Irã, iniciada pelos norte-americanos e Israel, se aproxima ao oitavo mês. Ao mesmo tempo, o republicano vê sua popularidade cair. O conflito iniciado pelos EUA causou uma instabilidade pela região, fechou a maior parte do tráfego no Estreito de Hormuz e fez disparar o preço dos combustíveis no mundo.
“Enquanto outros conversavam, eu agi. Enquanto outros falavam de paz, eu a construí. Enquanto outros ignoraram ameaças, eu as enfrentei. Enquanto outros falaram de coragem, a América a demonstrou”, disse Donald Trump, em discurso na Assembleia Geral da ONU.
Republicano mencionou, por mais de uma vez, a capacidade nuclear iraniana como um problema para o mundo. Trump afirmou que eles cometeram “um grande erro” ao negar o encerramento do programa — um dos principais motivos apontados pelos EUA para iniciar a guerra na região em fevereiro. Ao longo de meses de negociação, Trump condicionou diversas vezes o fim dos ataques ao abandono do programa nuclear de Teerã.
O presidente também citou o aniversário do 11 de setembro de 2001, e citou os ataques de 7 de outubro em Israel, tentando ligar o nome do Irã ao Hamas. “Imagine se um regime tão vil tivesse o poder de realizar ataques terroristas em larga escala protegido por um escudo nuclear. Essa era a realidade que tínhamos que enfrentar — uma realidade que muitos preferiam ignorar”, afirmou. O Irã não tem qualquer relação com o 11 de setembro e também não foi o causador direto dos ataques em Israel.
Ao falar sobre Gaza, Trump agradeceu a países vizinhos pela ajuda no acordo de paz e declarou, mais uma vez, que está “honrado em encerrar oito guerras”. A fala é imprecisa, já que alguns dos acordos de paz firmados são frágeis. Em Gaza, por exemplo, ataques de Israel continuam matando pessoas.
Além de Gaza, Trump diz que acabou com conflitos entre Armênia e Azerbaijão, Camboja e Tailândia, Israel e Irã, Ruanda e RD Congo, Índia e Paquistão, Egito e Etiópia e Sérvia e Kosovo. Mesmo após os “acordos”, a fronteira entre Camboja e Tailândia e o RD Congo voltaram a ter confrontos. Não está claro qual teria sido o papel de Trump na “resolução” do Egito.
O presidente pediu que os países membros da ONU sufocassem a economia do Irã. “Eles estão se comportando mal, não porque são fortes, mas porque são fracos e estão desesperados”, afirmou.
Pouco antes do discurso de Trump, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sinalizou que o país estaria aberto para se reunir com os iranianos durante a assembleia. “Estamos abertos a algo assim, especialmente se houver perspectivas de que isso leve a algo positivo e, em última análise, alcance o objetivo de tudo isso, que é o fato de o Irã jamais poder ter uma arma nuclear”, afirmou à rádio NBC.
Presidente “rejeitou totalmente” apelos por desaceleração das IAs
Em seu discurso, Trump também falou que a inteligência artificial será “maior do que a revolução industrial” e disse que não vai rejeitar os apelos globais para desacelerar o desenvolvimento das IAs. “Agora eu digo: quem dominar a Inteligência Artificial ganha. Esse é o grupo que ganha”, afirmou. O presidente disse, ainda, que os EUA estão “muito” à frente da China e de todos os outros no desenvolvimento das IAs. Ele sugeriu, ainda, que a IA se chamasse “superinteligência”.
Lula e Trump não se encontraram
Ao contrário do ano passado, Lula e Trump não se encontraram nos bastidores do evento. A delegação americana não aplaudiu o discurso do brasileiro e também foi a única que não se levantou para o aplaudir o secretário-geral Antonio Guterres após o que foi o seu último discurso à frente da ONU.
Já o presidente Lula aplaudiu o norte-americano. Nos bastidores da assembleia, o petista também cumprimentou José Antonio Kast, presidente conservador do Chile. O discurso de Trump neste ano tem tom semelhante ao que o republicano fez na ONU no ano passado. Assim como no ano passado, em seu retorno após quatro anos de governo de Joe Biden, o americano se vangloriou pelo trabalho feito dentro dos EUA e pela economia do país, mas também as Nações Unidas. Neste ano, ele falou que a América está na sua “era de ouro”.
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