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Amazonas

Soma de gastos com polícias e prisões no Amazonas é maior que em outras oito funções da área social, aponta pesquisa

Segundo o estudo, a distribuição dos recursos prioriza o policiamento ostensivo em detrimento das ações de investigação, inteligência e produção de provas.

No Amazonas, a soma dos gastos com as polícias e o sistema prisional representou 9,2% do orçamento total do estado em 2025. Foram R$ 3,3 bilhões, contra R$ 3,2 bilhões em outras oito funções como: Assistência Social, Cultura, Urbanismo, Essencial à Justiça, Saneamento, Habitação, Gestão Ambiental e Trabalho.

Os dados fazem parte da nova edição do estudo “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, elaborado pelo Justa e lançado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento analisou os orçamentos de 26 unidades federativas em 2025. O Acre foi o único estado que não forneceu dados para o estudo. O Justa é um centro de pesquisa, design e incidência que atua no campo da economia política da justiça e une diferentes áreas do conhecimento como direito, economia, gestão pública, tecnologia, ciência política, comunicação e engenharia de produção.

Os estados brasileiros gastaram R$ 103,5 bilhões com as polícias em 2025, mas a maior parte dos recursos foi destinada ao policiamento ostensivo. Do total, R$ 60,7 bilhões (58,6%) foram destinados às Polícias Militares, responsáveis pelo policiamento ostensivo. Já as Polícias Civis, encarregadas das investigações, receberam R$ 22,2 bilhões (21,5%), enquanto as Polícias Técnico-Científicas, que atuam em áreas como perícia e produção de provas, receberam R$ 2,8 bilhões (2,7%).

Na outra ponta do sistema de justiça criminal, os investimentos em políticas exclusivas para pessoas egressas do sistema prisional representaram, em média, apenas 0,001% dos gastos estaduais.

O levantamento nacional analisou orçamentos das polícias, sistema prisional e políticas para egressos no ano passado em 26 unidades da federação.

Segundo o Justa, a distribuição dos recursos prioriza o policiamento ostensivo em detrimento das ações de investigação, inteligência e produção de provas. Para a organização, isso pode ampliar a capacidade de prender sem necessariamente aumentar a capacidade de esclarecer crimes e desarticular organizações criminosas.

“Quando o investimento em policiamento ostensivo cresce sem que a investigação e produção de provas avancem na mesma proporção, o sistema amplia sua capacidade de prender sem necessariamente fortalecer sua eficiência para esclarecer os crimes. É uma lógica que ajuda a sustentar um modelo de encarceramento em massa, marcado por fragilidades na apuração da autoria e na produção de evidências”, avalia Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa.

O estudo aponta que os recursos públicos destinados à segurança seguem um “funil de investimentos”: os valores são maiores na entrada do sistema de justiça criminal e diminuem nas etapas seguintes.

Em 2025, foram:

R$ 103,5 bilhões para as polícias;
R$ 22,3 bilhões para o sistema prisional;
R$ 19 milhões para políticas exclusivas destinadas a pessoas egressas do sistema prisional.
Na proporção calculada pelo estudo, para cada R$ 5.423 destinados às polícias, foram gastos R$ 1.169 com o sistema prisional e apenas R$ 1 com políticas para egressos.

Em média, os investimentos destinados exclusivamente a essa população representaram 0,001% dos gastos estaduais.

A diferença aumentou em relação à edição anterior do estudo, que analisou os dados de 2023. Naquele ano, eram destinados R$ 4,8 mil às polícias para cada R$ 1 investido em políticas para egressos. Em 2025, o valor passou para R$ 5,4 mil, um crescimento de 16%.

Ao todo, 19 unidades federativas, ou 72% das analisadas, não investiram em políticas exclusivas para egressos em 2025.

Dos R$ 22,3 bilhões gastos pelos estados com o sistema prisional em 2025, cerca de R$ 13,7 bilhões correspondem ao encarceramento de pessoas negras, o equivalente a R$ 6 de cada R$ 10 investidos na área.

A estimativa foi calculada pelo Justa a partir do cruzamento dos gastos estaduais com dados do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen) de dezembro de 2025.

“Os dados evidenciam uma realidade sistêmica: o Brasil prende muito e prende mal. A grande maioria das pessoas presas é pobre e preta, que acabam sendo entregues no sistema prisional às facções. Enquanto isso, os órgãos de segurança pública seguem com baixa capacidade de combater o crime organizado com eficiência”, aponta a diretora executiva do Justa.


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