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Pesquisadores do INPE publicam estudo sobre aumento de extremos climáticos na Amazônia

Artigo publicado na revista Communications Earth & Environment (Nature Portfolio) identifica aumento acelerado de temperaturas extremas e déficit hídrico no centro-norte do bioma

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/ Reprodução).

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) participaram de um estudo internacional que identificou um rápido aumento dos extremos climáticos na Amazônia, especialmente na região centro-norte do bioma. Os resultados foram publicados no dia 10 de setembro na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature Portfolio.

O trabalho tem entre seus autores os pesquisadores do INPE Liana O. Anderson, Ana Paula Aguiar e Luiz Aragão e reúne 53 cientistas de diferentes instituições. A pesquisa avaliou as mudanças climáticas na Amazônia entre 1981 e 2023, utilizando dados de alta resolução espacial.

Os resultados mostram que cerca de 10% da Amazônia, uma área superior a 700 mil km², registrou aumento de pelo menos 0,75 °C por década nas temperaturas extremas durante a estação seca, o que representa uma elevação superior a 3,22 °C no período analisado.

O estudo destaca que os extremos climáticos estão se alterando em ritmo mais acelerado do que as temperaturas médias. Enquanto a temperatura média anual da Amazônia aumentou 0,21 °C por década, as temperaturas máximas extremas durante o período mais seco apresentaram aumento médio de 0,49 °C por década.

A região centro-norte identificada pela pesquisa possui extensas áreas de floresta com alta cobertura vegetal, savanas naturais, unidades de conservação e importantes territórios indígenas. O resultado chama a atenção porque essa área, localizada distante das principais regiões do arco do desmatamento, não era anteriormente considerada um dos principais focos de mudanças climáticas no bioma.

Para a pesquisadora Liana Anderson, os resultados indicam que a intensificação dos extremos pode trazer consequências ambientais, sociais e econômicas: “Se contabilizarmos as mudanças nas temperaturas extremas durante a estação seca que já observamos nestas últimas década (0,49 °C), podemos estimar que em 2050 a região poderá sofrer com um aumento total de 3,5 °C, o que terá grandes consequência locais, como deterioração social e ambiental e portanto consequentemente e diretamente econômica, assim como mudanças nos regimes de chuvas, afetando a produção de alimentos e energia do país”.

O pesquisador Luiz Aragão destaca que o aumento dos extremos climáticos em uma região com menor nível de perturbação antrópica também representa um importante alerta. “A parte central e norte da Amazônia enfrenta poucos distúrbios antrópicos, como desmatamento e queimadas, quando comparada à fração leste e sul. Os resultados da pesquisa têm implicações para a busca de soluções, com estratégias de adaptação e mitigação para atingir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, afirma Aragão.

Relação com o El Niño e o acompanhamento do INPE

Os pesquisadores destacam que eventos climáticos extremos recentes na Amazônia reforçam a importância de acompanhar a evolução das condições climáticas na região. A seca de 2023/2024, por exemplo, esteve associada a temperaturas elevadas e a condições do Oceano Pacífico relacionadas à transição de La Niña para El Niño.

O cenário merece atenção diante das condições previstas para 2026. As previsões mais recentes indicam alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, com possibilidade de persistência do fenômeno até o início de 2027.

O INPE acompanha esse fenômeno por meio do Painel El Niño 2026-2027, desenvolvido em parceria com outras instituições, que disponibiliza mensalmente informações atualizadas sobre o monitoramento, as previsões e os possíveis impactos do El Niño no Brasil. Acesse aqui a edição de agosto do Boletim do Painel El Niño 2026-2027.

A pesquisadora Ana Paula Aguiar, coordenadora científica da Sala de Situação da plataforma TerraBrasilis do INPE, tem acompanhado a evolução dos focos de calor do Programa Queimadas e dos alertas de degradação do sistema Deter (Programa BiomasBR) na ferramenta e explica: “Por ora, os efeitos do El Niño ainda não estão sendo sentidos, embora se perceba um incremento nas últimas semanas. Os resultados do nosso artigo são muito preocupantes porque, em anos de seca extrema, a área degradada é muito superior ao desmatamento, e se distribui em áreas remotas”. A imagem abaixo, extraída da Sala de Situação, apresenta a evolução da área degradada na Amazônia.

Degradação Amazônia - Sala de Situação
As barras verdes indicam a área total degradada no mesmo período dos anos anteriores (junho-jul-ago). O pico em 2024 (barra verde) reflete um ano muito seco. Já o pico marrom mais alto indica a área total degradada no trimestre set-out-nov de 2024, totalizando 31.077 km² na Amazônia. Fonte: Sala de Situação do TerraBrasilis.

O artigo “Rapid increase of climate extremes reveals new areas of concern in Amazonia” está disponível para acesso na revista Communications Earth & Environment. Leia o artigo completo no link: https://www.nature.com/articles/s43247-026-03975-1

Com informações da Agência FAPESP.


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