Brasil
Presidente do BNDES diz que demanda por financiamentos de carros para motoristas de aplicativos está ‘gigante’
Segundo Mercadante, busca de interessados por empréstimos para comprar automóveis para trabalhar está acima do esperado pelo governo.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse nesta terça-feira (dia 16) que a demanda inicial pelos empréstimos do Move Brasil Taxistas e Aplicativos, programa de crédito com juros mais em conta lançado mês passado pelo governo federal, está “gigantesca”.
Quando o Move Brasil Taxistas e Aplicativos foi lançado, o próprio Mercadante disse, em Brasília, que o governo projetava uma demanda de 200 mil a 300 mil beneficiários. Foram disponibilizados R$ 30 bilhões para o programa, em recurso do Tesouro.
— Está muito maior do que aquele número lá. Muito maior. O número é gigantesco — disse Mercadante a jornalistas, ao deixar a sessão de abertura da edição 2026 do BNDES Garagem, evento do banco de fomento voltado para startups.
O presidente do BNDES evitou citar valores ou estimativas de demanda. Disse apenas que o atendimento final da demanda dependerá dos bancos repassadores. E minimizou o risco de endividamento excessivo e inadimplência em alta moderarem a demanda, pois os calotes são menos frequentes quando o bem financiado é usado para trabalhar.
Segundo Mercadante, os descontos oferecidos pelas montadoras de automóveis também estão ajudando a turbinar a demanda. Pela regras do Move Brasil, podem ser financiados carros de até R$ 150 mil.
Na época do lançamento, o governo informou que a ideia era que o Move Brasil Taxistas e Aplicativos estivesse pronto para começar a aprovar empréstimos a partir de 19 de junho, a próxima sexta-feira.
R$ 10 bi contratados para caminhões e ônibus
Em outra linha de crédito do Move Brasil, para o financiamento à aquisição de caminhões e ônibus, já foram contratados R$ 10 bilhões dos R$ 21 bilhões disponíveis para uma segunda rodada, informou o presidente do BNDES.
Nos primeiros dias de janeiro, o governo lançou o Move Brasil Caminhões, que já foram todos contratados. Depois, numa segunda rodada, lançou o Move Brasil Caminhões e Ônibus, que ampliou a abrangência para os coletivos, e o valor disponível subiu para R$ 21 bilhões.
Com isso, nas duas rodadas, o Move Brasil Caminhões e Ônibus já contratou R$ 20 bilhões em empréstimos, de um total disponível de R$ 31 bilhões.
Mais recentemente, depois da linha para taxistas e motoristas de aplicativos, foi lançado, na semana passada, o Move Brasil Entregadores e Motoapp, com mais R$ 4 bilhões.
O valor disponível é formado, em maioria, com recursos do Tesouro, complementados por recursos próprios do BNDES. O uso direto de recursos do Tesouro para o BNDES operar tem atraído críticas de especialistas, que veem na estratégia uma forma de estimular a economia lançando mão de recursos que não entram na contabilidade das despesas primárias e, portanto, ficam de fora dos limites do chamado “arcabouço fiscal”.
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