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Economia

Inflação perde força em maio, mas volta a furar o teto da meta após 7 meses

No mesmo período do ano passado, a inflação oficial do Brasil foi de 0,26%.

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A inflação perdeu ritmo e fechou em 0,58% em maio, mostram dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar da desaceleração em relação a abril, a variação é a maior para o mês desde 2021 e coloca o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acima do teto da meta pela primeira vez desde outubro do ano passado.

Como foi o IPCA

Inflação de maio foi a maior para o mês em cinco anos. O avanço de 0,58% representa uma desaceleração do IPCA em relação à alta de 0,67% registrada em abril, mas é a maior para o mês desde 2021 (0,83%). No mesmo período do ano passado, a inflação oficial do Brasil foi de 0,26%.

IPCA volta a estourar o teto da meta após sete meses. Com a variação, o índice oficial de preços acumula alta de 4,72% nos últimos 12 meses, maior patamar desde setembro do ano passado (5,17%), mês que antecede a última vez que a taxa anual apareceu acima da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), em 3%.

Furo pontual não exige explicação do Banco Central. O sistema estabelece que a meta seja aferida mensalmente pelas variações do IPCA no acumulado dos 12 meses. Caso o rompimento do intervalo persista por seis meses consecutivos, a autoridade monetária precisa se justificar e dar um prazo para devolver a inflação à meta. Até 2025, a análise considerava o acumulado até dezembro de cada ano.

Cenário aumenta incerteza para o ciclo de corte de juros. Com a inflação acima do teto da meta, a manutenção das reduções da taxa Selic, principal instrumento de política monetária para conter a alta dos preços, fica ameaçada. “Ainda vemos espaço para o Copom cortar [o percentual da taxa básica de juros em] 0,25 ponto percentual por reunião até o fim do ano, levando a Selic a 13,25%, mas com um risco cada vez maior de uma pausa prematura”, avalia André Valério, economista sênior do Inter.

“Embora o resultado não motive revisões em nossa projeção, ele segue evidenciando uma dinâmica qualitativa desfavorável, que implicará um panorama complexo para o Banco Central diante de um cenário com inflação acima da meta e expectativas desancoradas”, diz Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos.

Contas de luz

Tarifas de energia elétrica ficaram 3,67% mais caras em maio. A alta de maior impacto individual no IPCA do mês passado considera a adoção da bandeira amarela nas tarifas de energia residenciais. A cobrança extra estabelecida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aumenta o valor das contas em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Falta de chuvas motivou a alteração tarifária, justifica a Aneel. A agência reguladora afirmou que a escassez hídrica exigiu o acionamento das usinas termelétricas, que geram energia com um custo maior do que o das hidrelétricas. As contas de luz não tinham cobrança extra desde dezembro de 2025. A bandeira amarela segue vigente para este mês de junho.

Reajustes foram incorporados às tarifas de algumas regiões. Também contribuíram para a alta das contas de luz os aumentos incorporados em Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. A vigência das novas cobranças foram adotadas entre os dias 22 e 29 de abril.

Alimentos mais caros

Inflação dos alimentos e bebidas avança pelo sétimo mês seguido. A oscilação positiva de 1,33% em maio é similar à taxa registrada em abril (1,34%). A sequência de avanços faz o grupo de maior peso para o cálculo do IPCA acumular alta de 4,81% neste ano e de 3,97% nos últimos 12 meses.

Alta foi estimulada pelo aumento de preço da alimentação no domicílio. O subgrupo registrou variação de 1,65% em maio, com influência dos aumentos de preços da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%). Por outro lado, o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,7%) tiveram deflação.

“O aumento destes itens [batata-inglesa, tomate, cebola e carnes] se deve a questões de menor oferta e, também, há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”diz
José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

Alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,49% no mês passado. A taxa foi calculada com as desacelerações da inflação dos lanches (de 0,71% em abril para 0,49% em maio) e das refeições (de 0,54% para 0,51%). No acumulado dos últimos 12 meses, os subitens acumulam altas de 9,58% e 4,8%, respectivamente.

Transportes

Preço dos combustíveis automotivos recuou 1,95%. no mês passado. A queda foi determinante para a variação negativa dos transportes (-0,46%), o único grupo de despesas com queda em maio. A queda foi estimulada pelos recuos do etanol (-6,2%), do óleo diesel (-2,34%) e da gasolina (-1,46%), subitem com o maior impacto negativo no resultado da inflação.

Valor das passagens aéreas aumentou 3,2% em maio. A variação reverte a queda de 14,45% registrada em abril. Já as tarifas do ônibus urbano subiu 0,43% com a apropriação de gratuidades ou reduções de tarifa aos domingos em São Paulo (-1,09%) e Salvador (-0,54%) e, também nos feriados, em Belém (3,53%), Brasília (3,41%), Belo Horizonte (3,4%), Curitiba (1,48%), Vitória (0,6%) e Fortaleza (0,57%).

Veja a variação de cada grupo:

Alimentação e bebidas: +1,33%
Habitação: +1,22%
Saúde e cuidados pessoais: +1,9%
Vestuário: +0,62%
Despesas pessoais: +0,41%
Comunicação: +0,23%
Artigos de residência: +0,08%
Educação: 0%
Transportes: -0,46%

O que é o IPCA

Inflação oficial é calculada a partir de 377 produtos e serviços. A escolha dos itens tem como base o consumo das famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. O cálculo final considera um peso específico para cada um dos itens analisados pelo indicador.

IPCA abrange a evolução dos preços em nove grandes grupos. As análises consideram as variações apresentadas por itens das áreas de alimentação e bebidas, artigos residenciais, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.

Análise mensal é realizada nos grandes centros urbanos do Brasil. Para isso, o IBGE realiza as coletas de preços nas regiões metropolitanas de Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e do Distrito Federal. Também há pesquisadores nos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.


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