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Brasil

Agência dos EUA eleva para 82% a chance de El Niño se formar até julho e atingir novamente a Amazônia

A nova projeção representa um aumento em relação à discussão divulgada em abril, quando a probabilidade de formação no mesmo trimestre era de 61%.

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Segundo a NOAA, a probabilidade de continuidade do fenômeno até o início de 2027 também chegou a 96%. A força que o El Niño deve atingir no pico, no entanto, segue indefinida. O El Niño de 2023-2024, um dos cinco mais fortes já registrados, contribuiu para produzir algumas das cenas mais dramáticas recentes no Brasil: secas históricas na Amazônia, queimadas recordes no Pantanal e enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul.

O Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, vinculado à agência oceânica e atmosférica norte-americana (NOAA), elevou nesta quinta-feira (14) para 82% a probabilidade de o El Niño se formar no trimestre maio-julho de 2026. No Brasil, os efeitos do fenômeno costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

A nova projeção representa um aumento em relação à discussão divulgada em abril, quando a probabilidade de formação no mesmo trimestre era de 61%.

Com isso, a chance de o fenômeno persistir até o trimestre dezembro-fevereiro, no início de 2027, também foi estimada em 96%. No último mês, segundo o boletim, o Pacífico equatorial seguiu em condição de neutralidade, com temperaturas da superfície do mar próximas da média na porção centro-leste da bacia.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global.

Embora a confiança na formação do El Niño tenha aumentado em relação ao mês anterior, a NOAA afirmou que há incerteza substancial sobre a intensidade do pico do fenômeno.

Nenhuma das categorias avaliadas pelo centro (fraco, moderado, forte ou muito forte) ultrapassa 37% de probabilidade nas projeções atuais, o que significa que nenhum cenário de intensidade pode ser tratado como mais provável do que os demais.

Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado. Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja:

2006–2007: El Niño fraco a moderado.
2009–2010: El Niño moderado.
2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.


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