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Amazonas

Fabricado em Manaus, 1º navio da Marinha com nome feminino vai homenagear pioneira da enfermagem no Brasil

O Navio de Assistência Hospitalar “Anna Nery” deve entrar em operação no 2º semestre e poderá realizar 500 atendimentos diários em comunidades ribeirinhas.

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O NAsH “Anna Nery” será o primeiro navio com nome feminino na história recente da Marinha do Brasil | Foto: Marinha do Brasil/ Divulgação e Virgílio Cardoso de Oliveira/Wikimedia Commons/Reprodução

O nome da “primeira enfermeira do Brasil” vai se tornar, também, o primeiro nome feminino a estampar um navio na história recente da Marinha do Brasil (MB). O Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Anna Nery”, que deve entrar em operação já no segundo semestre para atendimento em áreas de difícil acesso, é uma homenagem à profissional que atuou voluntariamente na Guerra do Paraguai (1864-1870). As informações são da revista Náutica.

Primeiro navio da Marinha com nome feminino

Atualmente, a embarcação encontra-se em fase de testes no Estaleiro Bibi, em Manaus (AM), onde, segundo a MB, foi construído com tecnologia totalmente nacional e recursos do Fundo Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde.

O navio poderá realizar cerca de 500 atendimentos diários em comunidades ribeirinhas da Amazônia Oriental, atuando como uma unidade de saúde flutuante completa.

Sua estrutura contará com seis consultórios médicos e odontológicos; centro cirúrgico para procedimentos de pequena complexidade; equipamentos para exames de imagem como mamografia, raios-X e ultrassonografia; suporte de farmácia, laboratório de análises clínicas e leitos de internação.

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Espera-se que o novo Navio de Assistência Hospitalar seja incorporado à estrutura operativa da Força no segundo semestre deste ano, quando também está previsto o “batismo oficial” com o nome de Anna Nery, em Belém (PA).

Navio hospitalar Anna Nery será incorporado

Assim, depois de pronta, a embarcação reforçará as atividades hoje desempenhadas pelo Navio-Auxiliar (NA) “Pará” e pelo NAsH “Sargento Lima”, na área de competência do Comando do 4º Distrito Naval, que compreende os estados do Pará, Amapá, Maranhão e Piauí.

Entre seus diferenciais está o calado menor, o que possibilita ao NAsH “Anna Nery” atuar em regiões onde o leito do rio apresenta profundidade reduzida, ampliando o raio de ação das operações de assistência à saúde.

Segundo o futuro comandante do NAsH “Anna Nery”, Diego Luiz de Sá Rodrigues, a incorporação do novo meio deve ampliar a presença do estado em regiões mais vulneráveis. “Isso se traduz em mais pessoas em condição de vulnerabilidade social, que residem em comunidades ribeirinhas, sendo assistidas”, afirmou à Marinha do Brasil.

Anna Nery foi pioneira da enfermagem

Pioneira na enfermagem no Brasil, Anna Justina Ferreira Nery (1814-1850) se destacou pela atuação voluntária durante a Guerra do Paraguai. Natural de Cachoeira (BA), ela pediu autorização ao governo imperial para acompanhar os filhos convocados para o conflito e passou a atuar no cuidado de soldados feridos em hospitais militares, dentro e fora do país.

Nery chegou a perder um filho no conflito e, ao retornar ao Brasil, foi reconhecida pela imprensa da época como “mãe dos brasileiros”. Mesmo sem formação formal — já que a enfermagem ainda não era estruturada como profissão à época —, Anna Nery ganhou reconhecimento pela dedicação e pela contribuição na melhoria das condições de atendimento aos combatentes. Seu trabalho, inclusive, ajudou a consolidar as bases da enfermagem no país.

Trajetória inspirou homenagem da Marinha

Para Solange Nery, trineta da enfermeira, Anna teria apreciado saber que seu nome batizará um navio de assistência à saúde de populações ribeirinhas, apesar de seu “perfil discreto”.

Esse quesito ‘vaidade’ não existia nela, mas nós, da família, ficamos impactados com a homenagem, de como a trajetória dela coincidiu com o objetivo do navio, que é cuidar, amar– destacou Solange à Marinha do Brasil

Marinha já homenageou mulheres históricas

Durante o período monárquico, a MB chegou a batizar embarcações em homenagem a mulheres da Casa Imperial, como a corveta “Dona Isabel”, incorporada em 1855 em referência à princesa Isabel. Já na década de 1950, a heroína da Independência Maria Quitéria de Jesus deu nome a uma barca d’água construída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, posteriormente reclassificada como navio-tanque e rebatizada de “Gastão Moutinho”.


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