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Quase 700 civis morrem em ataques de drones no Sudão desde janeiro, diz ONU

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), mais de 19 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, enquanto a fome extrema atinge grandes áreas de Darfur e Kordofan.

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Quase 700 civis foram mortos em ataques de drones no Sudão desde janeiro, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 14/4, ao detalhar a devastação e a catástrofe humanitária provocadas pela guerra civil no país.

Agora entrando no quarto ano, o conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) já matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou mais de 11 milhões e levou várias regiões à fome.

“Nos primeiros três meses deste ano, quase 700 civis foram mortos em ataques de drones”, afirmou o chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, em comunicado divulgado na véspera do terceiro aniversário do início da guerra.

Ataques de drones e impacto nos civis

Ataques de drones quase diários têm desorganizado a vida em todo o Sudão, especialmente no sul de Kordofan — atual principal frente de batalha — e em áreas do oeste sob controle das RSF, incluindo Darfur.

A agência da ONU para a infância, UNICEF, afirmou que drones foram “responsáveis por quase 80%” das ao menos 245 crianças mortas ou feridas nos três primeiros meses do ano.

A porta-voz do UNICEF no Sudão, Eva Hinds, disse: “Drones estão matando e ferindo meninas e meninos em suas casas, em mercados, nas estradas, perto de escolas e unidades de saúde”.

Crise humanitária e fome crescente

19 milhões enfrentam fome aguda

“Milhões foram forçados a deixar suas casas em todo o Sudão e além de suas fronteiras”, afirmou Fletcher, acrescentando: “O risco de uma instabilidade regional mais ampla é alto.”

Segundo ele, cerca de 34 milhões de pessoas — quase dois em cada três habitantes — precisam de ajuda humanitária, enquanto a fome avança com a aproximação do período de escassez.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), mais de 19 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, enquanto a fome extrema atinge grandes áreas de Darfur e Kordofan.

O chefe de preparação e resposta a emergências do WFP, Ross Smith, alertou que a situação está sendo “perigosamente agravada” pela guerra no Oriente Médio, que tem interrompido rotas de transporte e elevado os custos de alimentos, combustível e fertilizantes.

“Isso terá um efeito em cadeia sobre tudo, com o aumento dos preços de bens essenciais e alimentos empurrando mais pessoas para a fome”, disse.

Violência sexual como tática de guerra

Enquanto isso, mulheres e meninas enfrentam um aumento acentuado e sistemático da violência sexual, alertou a ONU Mulheres.

“A violência sexual como tática de guerra está sendo usada para infligir terror, humilhação, dor e controle sobre mulheres e meninas e para oprimir populações inteiras”, afirmou Anna Mutavati, diretora regional da ONU Mulheres para o leste e sul da África.

Segundo ela, o número de mulheres e meninas que necessitam de apoio por violência de gênero quadruplicou desde o início da guerra.

A ONU pede um aumento urgente no financiamento da ajuda. Fletcher afirmou que trabalhadores humanitários alcançaram 17 milhões de pessoas no Sudão e que, neste ano, pretendem atender 20 milhões.

No entanto, “a resposta está criticamente subfinanciada”, disse.

Apelo por ajuda e mobilização global

“Precisamos de ação agora — para parar a violência, proteger civis, garantir acesso às comunidades em maior risco e financiar a resposta.”

A coordenadora residente da ONU no Sudão, Denise Brown, afirmou na segunda-feira que o apelo da organização para arrecadar US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 14,4 bilhões) neste ano está apenas 16% financiado, em meio à queda nas contribuições internacionais.

Doadores devem se reunir em Berlim na quarta-feira para uma conferência sobre o conflito.


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