Amazonas
Governo do Brasil lança programa que remunera manejadores de pirarucu por serviços ambientais
Serão beneficiadas 5 mil pessoas que realizam manejo sustentável e conservam mais de 20 milhões de hectares no Amazonas.
Divulgação/Opan/Adriano Gambarini
O Governo do Brasil, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), lançou nesta quinta-feira (26/3), em Manaus (AM), o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu). Esta é uma iniciativa inovadora que valoriza o manejo sustentável da espécie por comunidades tradicionais e indígenas do Amazonas como serviço ambiental relevante, que contribui para a conservação da biodiversidade, a manutenção da identidade social e cultural dessas comunidades e a recuperação das populações naturais do peixe, entre outros.
Também foi anunciada portaria conjunta entre o MMA e os Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Pesca e Aquicultura (MPA) que, após oito anos de debates com manejadores, viabiliza a certificação orgânica do pirarucu criado em sistemas de manejo sustentável em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, abrindo acesso a mercados mais valorizados e a programas de compras públicas com acréscimo de até 30% no preço pago.
Aproximadamente 5 mil pessoas serão beneficiadas pelo PSA Pirarucu, representadas por mais de 40 organizações comunitárias que atuam em 41 Terras Indígenas e Unidades de Conservação e promovem a conservação de mais de 20 milhões de hectares. Cerca de R$ 15 milhões serão mobilizados por meio do Projeto Floresta+ Amazônia, ao longo de dois anos, com financiamento do Green Climate Fund (GCF) e apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Segundo a Lei 14.119/2021, serviços ambientais são atividades individuais ou coletivas que favorecem a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços ecossistêmicos. No caso do PSA Pirarucu, os serviços ecossistêmicos apoiados são a conservação da biodiversidade, a manutenção da identidade social e cultural das comunidades que realizam o manejo e a manutenção e recuperação das populações naturais de pirarucu, a regulação ecológica dos ecossistemas de várzea e a provisão de alimento.
As ações integram o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que traçará as diretrizes para a promoção da bioeconomia brasileira ao longo dos próximos 10 anos. Em fase final de elaboração, o PNDBio é o centro da estratégia brasileira para promover o uso sustentável da biodiversidade como vetor de desenvolvimento econômico, inovação e justiça social, valorizando as atividades de povos e comunidades tradicionais e populações indígenas e quilombolas e instituindo as bases de uma econômica que mantém a floresta em pé.
O PSA Pirarucu se soma ainda ao Programa Nacional de Sociobioeconomia – Prospera, que estabelece diretrizes para o reconhecimento e a valorização do papel dos povos e comunidades tradicionais na prestação de serviços ambientais.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a relevância da iniciativa para a agenda climática e para o fortalecimento das economias da sociobiodiversidade.
O PSA Pirarucu busca superar as limitações dos instrumentos atualmente disponíveis ao manejo sustentável da espécie, como o alcance restrito de políticas de apoio e a baixa remuneração individual dos manejadores. A iniciativa também marca um novo padrão para a bioeconomia amazônica, conforme ressaltou a Secretária Nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta.
Produto orgânico
A portaria interministerial entre o MMA, Mapa e MPA institui o Regulamento Técnico para a Obtenção de Produtos Oriundos do Extrativismo Sustentável Orgânico, incluindo a possibilidade de produtos extrativistas de base animal, como o pirarucu de manejo sustentável, serem reconhecidos como orgânicos no Brasil.
Após oito anos de debates com manejadores, comunidades e especialistas, a medida amplia significativamente o acesso a mercados públicos e privados, contribuindo para o aumento substancial da renda das comunidades produtoras.
A certificação promete oferecer impacto social direto ao beneficiar comunidades em maior vulnerabilidade ao permitir seu enquadramento como Manejo Extrativista Sustentável Orgânico, facilitando condições mais vantajosas de inserção nos mercados da sociobiodiversidade. Além disso, a certificação possibilita o acesso a iniciativas de compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com acréscimo de até 30% no valor pago pelos produtos.
Amazônia Legal
Durante o evento, o MMA também apresentou o Edital de Apoio a Coletivos da Sociobioeconomia, que reconhece o papel essencial das organizações coletivas na construção de políticas públicas e inovação sustentável na Amazônia. A medida complementa o PSA Pirarucu ao reconhecer que o fortalecimento da sociobioeconomia amazônica depende não apenas de instrumentos de pagamento por serviços ambientais, mas também do empoderamento e articulação das organizações locais que protagonizam essas transformações.
O edital, que será lançado no dia 31/03, foi desenvolvido em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Banco Alemão KfW, visando fortalecer coletivos, redes, grupos, fóruns e observatórios da sociobioeconomia formados por organizações regionais que atuem na articulação política, mobilização e desenvolvimento de cadeias produtivas da sociobiodiversidade. O público prioritário inclui organizações de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultura familiar que contribuam para o uso sustentável dos territórios amazônicos.
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