Economia
Salário médio dos brasileiros sobe a R$ 3.652 e bate recorde, diz IBGE
O patamar foi alcançado após o aumento de 2,8% dos rendimentos no trimestre e de 5,4% em um ano.
O salário médio pago aos brasileiros foi de R$ 3.652 no trimestre encerrado em janeiro, de acordo com informações apresentadas hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O valor é 5,4% maior na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 3.466) e corresponde à maior média de toda a série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada desde 2012.
Remuneração média dos trabalhadores é a maior da história. O salário médio habitual dos trabalhadores no Brasil foi de R$ 3.652, valor mais alto da série para todos os períodos. O patamar foi alcançado após o aumento de 2,8% dos rendimentos no trimestre e de 5,4% em um ano. O recorde anterior havia sido contabilizado em dezembro do ano passado (R$ 3.623).
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura puxam alta. Na comparação anual, os salários pagos aos profissionais do segmento cresceram 9% (mais R$ 192). Na sequência, aparecem as atividades de construção (5,9%, ou mais R$ 157) e os segmentos de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (5,4%, ou mais R$ 263).
Salários de serviços domésticos e da administração pública também sobem. As altas registradas para os ramos foram de, respectivamente, 4,7% (mais R$ 62) e 3,9% (mais R$ 186). No caso da administração pública, o dado incorpora profissionais que atuam nas áreas de defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais. Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.
Trabalhadores por conta própria lideram o aumento. A remuneração dos profissionais liberais aumentou 7,8% (mais R$ 222) entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Também evoluiu acima da média o ganho dos empregadores (7,4%, ou mais R$ 624). Aumentaram ainda os salários dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada (2,8%, ou mais R$ 88), informais (6,4%, ou mais R$ 158), domésticos (4,7%, ou mais R$ 62) e empregados do setor público (4,3%, ou mais R$ 225).
Massa de rendimento real sobe para R$ 370,3 bilhões. Com o aumento dos salários, a soma das remunerações de todos os trabalhadores cresceu 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) em um ano e também atingiu um novo recorde. Quando comparada ao trimestre móvel de agosto a outubro de 2025, a variação foi de 2,9% (mais R$ 10,5 bilhões).
Juros
Aumento não deve alterar a condução da política monetária. André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o recorde dos salários já está precificado pelo BC (Banco Central), mas amplia o ambiente “cauteloso” para as próximas definições. “Esperamos que a Selic volte a ficar abaixo de dois dígitos somente em 2028, o que ilustra o tamanho do desafio do Banco Central em garantir a convergência à meta em meio às atuais condições estruturais da economia brasileira”, afirma ele.
Autoridade monetária diz estar atenta à evolução salarial. O dado é visto como um dos pontos de alerta do BC para as definições da taxa de juros. Isso acontece porque as remunerações maiores estimulam o consumo e, consequentemente, abrem espaço para o aumento dos preços. O tema foi destacado na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), quando a Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
“O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”, dia a Ata da 276ª reunião do Copom.
Não deixe de curtir nossa página no Facebook, siga no Instagram e também no X.













Faça um comentário