Brasil
72% das mulheres em Manaus dizem já ter sofrido assédio, aponta pesquisa Ipsos-Ipec realizada em em 10 capitais brasileiras
Mais de sete em cada dez mulheres (72%) entrevistadas em Manaus dizem já ter sofrido assédio em algum momento da vida, aponta a Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026, feita pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec, com apoiodo Sesc-SP e da Fundação Grupo Volkswagen, em 10 capitais de Estado no Brasil.


Segundo o levantamento, 74% das mulheres ,na média das capitais, disseram já ter sofrido assédio em algum momento da vida, 56% relataram que a agressão ocorreu na rua ou em algum outro espaço público (como praça, parque ou praia) e 51% no transporte público.
Além disso, 38% disseram ter sido vítimas de assédio no trabalho e 28%, dentro do ambiente familiar.
Ainda 33% disseram ter sido assediadas em bares e casas noturnas e 17% dentro de transporte particular, como táxi ou carros por aplicativo.
Jennifer Caroline Luiz, supervisora da área de gestão da Fundação Volkswagen, diz que o número de mulheres vítimas de assédio pode ser ainda maior do que o captado pela pesquisa. “Existe a dor, a vergonha em admitir ter sido vítima dessa situação. Então, pode ser que o número seja maior, mas o formato da pesquisa, com entrevistas online, pode diminuir esse risco.”
Ela destaca ainda que o grupo etário com maior incidência de mulheres que relataram ter sofrido assédio foi o de 45 a 59 anos.
“Se por um lado, mulheres mais jovens, da faixa de 16 a 24 anos, podem ter mais facilidade em reconhecer as situações de assédio e denunciá-las, por outro, as mulheres com mais idade vivem em um contexto em que o mais machismo é mais presente e foi mais naturalizado. Por isso, podem ter sofrido mais com esse tipo de situação”, diz.
O levantamento também questionou os entrevistados sobre medidas que consideram eficazes para combater a violência doméstica e familiar. A medida mais citada por elas (59%) foi aumentar as penas para quem comete violência contra mulher.
Em seguida, 52% delas disseram que seria ampliar os serviços de proteção a mulheres em situação de violência em todas as regiões da cidade. Para os homens, essas também foram as duas medidas mais citadas, tendo sido respondidas por 48% e 45%, respectivamente.
A pesquisa incluiu ainda perguntas para entender a percepção de igualdade de gênero entre os entrevistados e encontrou diferenças significativas entre homens e mulheres.
Para 51% deles, os afazeres domésticos de suas casas são divididos igualmente entre homens e mulheres. Enquanto, apenas 29% das mulheres relataram que a divisão é igualitária.
Além disso, 28% dos entrevistados do sexo masculino disseram acreditar que os afazeres domésticos são de responsabilidade de homens e mulheres, mas reconheceram que elas fazem a maior parte. Entre as mulheres, 43% afirmaram que fazem a maior parte.
“A sobrecarga feminina é mais percebida pelas próprias mulheres. Há uma tendência de alguns homens aumentarem a percepção de que o trabalho doméstico é uma responsabilidade compartilhada, mas eles acham que está sendo dividido igualmente, enquanto elas não percebem o mesmo. Isso traduz a desigualdade de gênero”, diz Jennifer.
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