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Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM, ligados ao Master

Instituições foram vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro

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O Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. As duas instituições faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central, segundo o órgão regulador.

O que levou à decisão

De acordo com pessoas com conhecimento no assunto, o BC já vinha acompanhando a situação do banco e mandou cartas à instituição sobre as necessidades que fazer aportes para melhorar as condições de liquidez.

O banco herdou cerca de R$ 6 bilhões de CDBs do Master e tentava construir uma carteira de crédito. Porém, não conseguiu fazer uma frente de captação de recursos e nem vender ativos em quantidade suficiente.

Essa situação levou o banco a ter problemas de caixa e não ter recursos suficientes para honrar seus compromissos, ou seja, pagar os CDBs que vieram do Master e da carteira de credito que foram constituindo.

Além disso, a instituição foi proibida pelo BC de distribuir CDBs via plataformas de investimentos.

Entre o seus ativos, o banco tinha contratos do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) e o CredCresta, um cartão de crédito consignado destinado para servidores públicos e empresas privadas. Foi esta operação que Lima levou ao Master quando se tornou sócio de Vorcaro.

O que diz o BC

Em nota, o BC disse que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.

“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, diz o texto.

Segundo o BC, o conglomerado do Pleno é de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno.O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de acordo com o BC.

Com a liquidação, o BC decreto também dos controladores Augusto Lima e Daniel Vorcaro, entre outros, e dos ex-controladores.

Outras liquidações

O banco passou por sucessivas mudanças de controle e de nome — Indusval, Voiter e, mais recentemente, Pleno — sempre em meio a tentativas de reestruturação. A transferência para Augusto Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, poucos meses antes de virem a público as investigações envolvendo o Banco Master, grupo ao qual o Pleno esteve ligado.

Desde novembro de 2025, o Banco Central vem desmontando, em etapas, o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro, após identificar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio para outras instituições.

Na primeira fase, em novembro de 2025, foram liquidadas as principais empresas do grupo: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank (atual BlueBank) e a corretora do conglomerado. Em janeiro de 2026, o BC ampliou a intervenção para a CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do mecanismo usado para ocultar prejuízos. No dia 21 de janeiro, foi decretada também a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após o fracasso da tentativa de venda e o bloqueio das operações com cartões da Mastercard.

Com essas medidas, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir investidores em produtos cobertos, como CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitado o teto global de R$ 1 milhão. O caso Master resultou no maior acionamento da história do fundo, com cerca de R$ 41 bilhões reservados para pagamentos.


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