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Saneamento, saúde e educação são maiores demandas de moradores de favelas no Norte do Brasil, aponta Data Favela

A Região Norte se destaca da média nacional e de outras regiões por apresentar o maior índice de avaliação ruim ou muito ruim (23%) quanto à qualidade da educação.

A região Norte apresentou também um número maior de moradores(as) por domicílio.. (Foto:Valter Calheiros)

Saneamento básico (33%), saúde (24%) e educação (19%) estão no topo de principais mudanças desejadas pelos moradores das favelas da Região Norte do Brasil que responderam à pesquisa Sonhos da Favela, feita pelo Data Favela nas cinco regiões do País.

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De acordo com a pesquisa, a Região Norte se destaca da média nacional e de outras regiões por apresentar o maior índice de avaliação ruim ou muito ruim (23%) quanto à qualidade da educação. Entre ruim e muito ruim, a Região se destaca também com 36% de avaliações negativas sobre educação.

A pesquisa mostra que, nas favelas brasileiras, 6 em cada 10 dos entrevistados ganham até um salário mínimo mensalmente. Esse índice é ainda maior nas regiões norte e nordeste, onde 7 em cada 10 respondentes afirmam contar com apenas um salário mês a mês.

A modernização financeira é uma realidade, aponta a pesquisa: o PIX é o meio de pagamento utilizado por 65% da população, deixando para trás o dinheiro em espécie (12%) e o cartão de crédito (12%). O Norte, 69% informaram que usam o PIX, o maior índice do País.

O estudo se baseia em 4.471 entrevistas realizadas com maiores de 18 anos, todos moradores de favela, entre os dias 11 e 16 de dezembro de 2025, em todo o País. O objetivo principal dos organizadores é convidar população e o poder público a conhecer e a enfrentar as negligências que impactam a vida nas favelas.

Dignidade e bem-estar básico estão entre as principais aspirações. Ao projetarem o futuro da família para 2026, o desejo por uma casa melhor lidera os planos (31%), seguido pela busca por uma saúde de qualidade (22%), entrada dos filhos na universidade (12%) e segurança alimentar (10%).

“O Data Favela acredita que mapear pensamentos, experiências e vivências de moradores de favela é, antes de tudo, um ato de reconhecimento e reparação. Favela não é só ‘problema’ ou ‘estatística’. É também espaço onde existe inteligência coletiva, cultura, empreendedorismo, inovação, verdadeiras estratégias para prosperar”, analisa a copresidente do Data Favela Cléo Santana.

“Ouvir quem vive a favela todos os dias muda o centro da narrativa: não se trata apenas de ‘falar sobre’, mas de construir dados com as pessoas, a partir do que elas consideram urgente, possível e necessário. Isso tem impacto direto na forma como políticas públicas são desenhadas, como empresas se relacionam com esses públicos e como a imprensa retrata as periferias”, complementa.

Perfil sociodemográfico

A maior parte dos entrevistados é formada por adultos entre 30 e 49 anos (58%). Jovens de 18 a 29 anos somam 25%, enquanto pessoas com mais de 50 anos correspondem a 17%. Cerca de 60% são mulheres e 75% de todos os entrevistados se identificam como heterossexuais.

Oito em cada dez se identificam como negros (49% se declaram pardos, 33% se declaram pretos). Brancos são 15%.

Sobre graus de escolaridade, 8% têm ensino fundamental completo; 35%, ensino médio completo; 11%, ensino superior completo; e 5%, pós-graduação.

Cerca de 60% ganham até um salário mínimo mensalmente. Na sequência, 27% recebem de R$ 1.521 a R$ 3.040, enquanto 15% do total reúne faixas acima de R$ 3.040.

Três em cada dez afirmaram ter um trabalho com a carteira assinada (ocupados), 34% estão informais (entre aqueles que não possuem a carteira assinada e os que fazem bicos), 17% estão desempregados (desocupados) e 8% estão fora da força de trabalho (entre aposentados e estudantes).

No geral, 56% dos entrevistados afirmam não receber nenhum tipo de benefício do governo, como auxílio gás, aposentadoria ou pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tarifa social de energia elétrica, seguro-desemprego. Entre os que recebem algum benefício, o mais citado é Bolsa Família/Auxílio Brasil (29%).

Infraestrutura territorial

Em relação à infraestrutura territorial, os moradores foram questionados sobre as principais mudanças que desejariam nos seus territórios em 2026. As respostas mais frequentes foram: saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%).

Sobre as opções que possuem nas comunidades ligadas à esporte, lazer e cultura, 35% afirmaram ser ruim ou muito ruim, e 32% afirmaram ser regular.

Desafios de raça e gênero

Cerca de 50% dos entrevistadores afirmam que a cor da pele impacta nas oportunidades de trabalho, enquanto 43% dizem que a cor da pele não impacta.

Sete em cada dez afirmam que a violência doméstica/feminicídio é o principal desafio que as mulheres enfrentam dentro da favela, seguido da dificuldade com emprego e renda (43%) e apoio no cuidado com os filhos (37%).

Quando perguntados sobre qual política pública consideram mais urgente para as mulheres, as respostas mais frequentes foram: programas de inserção no mercado de trabalho (62%), campanhas de educação contra o machismo (44%), delegacias e serviços com atendimento 24h (43%) e o cuidado com a saúde da mulher (39%).

Segurança pública

Os moradores das favelas também foram perguntados sobre quais instituições confiam que irão protegê-los contra a violência. As respostas incluem Polícia Militar (27%), Polícia Civil (11%) e facção da minha favela (7%). A opção com mais votos, no entanto, foi “nenhuma delas” (36%).

Quando perguntados sobre a presença da polícia dentro da favela, o silêncio é significativo, segundo os pesquisadores: 24% optaram por não responder, enquanto outros 25% afirmam que a presença não altera a sensação de segurança. Uma parcela de 13% sente medo e insegurança com a presença policial. Por outro lado, 22% se sentem mais seguros com o policiamento no território.

“Um dado simbólico da pesquisa é o que revela que o maior desejo é poder ir e vir com tranquilidade [47%], mostrando dessa forma que o futuro ainda é pensado a partir da sobrevivência e do medo. Pesquisas como essa funcionam como um megafone para ampliar a voz que a favela já tem”, explica a copresidente do Data Favela Cléo Santana.


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