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Mais de 100 presos políticos são libertados em um único dia na Venezuela, afirma ONG
Nova rodada de libertações ocorre após a presidente Delcy Rodríguez dizer que pretende ‘alcançar acordos’ com a oposição para garantir a ‘paz’.
Mais de 100 presos políticos foram libertados no domingo na Venezuela, em um processo que, segundo a oposição e ONGs de direitos humanos, avança a passos lentos. O governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura do líder chavista Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, prometeu um “número significativo” de libertações. O número foi contabilizado pela ONG Foro Penal.
“Verificamos 104 libertações de presos políticos na Venezuela no dia de hoje. Seguimos verificando outras libertações”, informou o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, no X, na noite de domingo.
O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, número que a presidente Rodríguez disse que pedirá para ser verificado pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.
— Já basta de mentira — exclamou a presidente, na última sexta-feira.
O total oficial, no entanto, contrasta com os dados das ONGs. O Foro Penal, por exemplo, registra 375 libertações desde o mesmo período. Essa ONG e outras organizações de direitos humanos estimam que centenas de opositores ainda permanecem presos na Venezuela.
Além do compromisso de libertar presos políticos, Rodríguez deu uma guinada na relação com Washington ao firmar acordos petrolíferos, enquanto reorganiza o gabinete ministerial e os altos comandos militares.
A nova rodada de libertações ocorre após a presidente dizer, no último sábado, que pretende “alcançar acordos” com a oposição para garantir a “paz”.
— Não pode haver diferenças nem políticas nem partidárias quando se trata da paz da Venezuela — disse Rodríguez. — A partir das diferenças, precisamos nos encontrar e chegar a acordos.
Presos durante a reeleição de Maduro
A Venezuela vive há anos sob rígido controle estatal. Protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024 terminaram em repressão e na prisão de mais de 2 mil pessoas em apenas 48 horas. Agora, com a queda de Maduro, familiares aguardam do lado de fora de presídios e passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos saírem das celas.
Além disso, está em vigor um estado de comoção interna que prevê prisão para quem apoiar o ataque americano do início do ano, que depôs Maduro.
Na última quinta-feira, as autoridades venezuelanas libertaram o genro de Edmundo González Urrutia, rival de Maduro nas contestadas eleições de 2024. Rafael Tudares passou mais de um ano preso sob acusações de terrorismo — decisão que González Urrutia classificou como “retaliação”.
O ex-candidato presidencial Enrique Márquez também deixou a prisão, assim como a especialista em temas militares e ativista de direitos humanos Rocío San Miguel e o ativista Roland Carreño, jornalista de profissão.
‘Família’
Entre os opositores que ainda seguem detidos está Juan Pablo Guanipa, aliado da líder opositora María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, e ligado a uma suposta conspiração contra as eleições de governadores e deputados no ano passado.
Também permanecem presos o ativista Javier Tarazona, encarcerado desde 2021 por “terrorismo”, “traição” e “incitação ao ódio”, além de Freddy Superlano, detido em julho de 2024, durante os protestos contra a reeleição de Maduro.
— Agora todos somos família — afirma Aurora Silva, esposa de Superlano, do lado de fora da prisão de El Rodeo I, onde ele está detido.
Com sentimento de otimismo, familiares e amigos se instalaram em pequenas barracas e colchões na frente do presídio, a cerca de 50 quilômetros de Caracas. Eles compartilham comida, eletricidade e água.
Lorealbert Gutiérrez aguarda a libertação do companheiro, Emmanuel De La Rosa, um ajudante de carpinteiro de 20 anos, e do irmão, Alberto Gutiérrez, mototaxista da mesma idade, acusados de envolvimento em um suposto atentado a bomba em Caracas.
— Enquanto eu não os vir do lado de fora, não vou embora — prometeu a vendedora ambulante de 19 anos.
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