Brasil
Venda de motos supera a de carros pela 1ª vez no Brasil, puxadas por mulheres, jovens e apps
Venda de motos cresceu 17,1% no Brasil em 2025. O Polo Industrial de Manaus concentra a produção no Brasil.
O interesse de jovens e mulheres por motocicletas e a expansão das entregas por aplicativos levaram à quebra de um recorde histórico em 2025: pela primeira vez, a venda de motos superou a de carros no Brasil.A ve nda de motos cresceu 17,1% em 2025. Foram 2,1 milhões de motocicletas comercializadas no ano passado, informa a Abraciclo (Associação nacional dos fabricantes de motos). O total supera as vendas de automóveis, que no mesmo período foram de 1,2 milhão de unidades, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). As informações são do UOL.

As vendas de moto quase dobraram no Brasil em quatro anos. Se em 2025 foram 2,1 milhões de emplacamentos, em 2021 foram 1,1 milhão. O resultado foi uma explosão da frota. Foi registrado um aumento de 22% entre 2021 e 2025, o que representa quase sete milhões de novas motos no mercado.
Os modelos de baixa cilindrada lideraram a produção. Elas responderam por 77% do total fabricado no Brasil no ano passado, segundo a Abraciclo.
Uma das consequências é o aumento de roubo e furto de motos. Sem dados nacionais, o UOL coletou o total de roubos e furtos de motocicletas no estado de São Paulo, que cresceram 116% em apenas quatro anos.
O número de motociclistas mulheres não para de crescer no Brasil. Em março do ano passado, 10 milhões de mulheres tinham habilitação na categoria, aumento de 66% em dez anos (6 milhões em 2016), segundo a Senatran (Secretaria Nacional do Trânsito).
O público jovem também anda mais de moto. “Além da expansão dos serviços de entrega, o crescimento das vendas de motocicletas se deve à entrada de novos perfis de consumidores, especialmente mulheres e jovens, e a adoção da motocicleta como segundo veículo pelas famílias, pela praticidade e pelo menor custo de utilização”, diz Marcos Bento, presidente da Abraciclo.
Aplicativos
Mas foi o boom dos aplicativos de entrega na década passada que impulsionou a venda de motos. Em 2011, o iFood desembarcou no Brasil, mas apenas intermediava os pedidos, com a entrega feita pelos restaurantes. Em 2013, a Loggi “uberiza” as motos de vez, mas com foco em documentos. Foi entre 2016 e 2018 que a entrega generalizada de produtos por motociclistas contratados pelas plataformas estourou com o Uber Eats e a Rappi em 2017, forçando o iFood a fazer o mesmo.
A popularização dos smartphones e a crise econômica de 2015/2016 empurrou muitos autônomos para esse trabalho.
Se em 2012, os serviços de malote e entregas por motocicleta reuniam 55 mil trabalhadores, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2024, o total de entregadores que utilizam motocicletas atingiu 455.621 pessoas, aumento de 18% em comparação com 2022 (385.742), segundo pesquisa da Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
Para esses trabalhadores, comprar e manter uma moto sai bem mais barato do que um carro. Enquanto o custo médio de manutenção de uma motocicleta é de R$ 763 por mês para quem trabalha 40 horas semanais, esse valor sobe para R$ 2.462 para um motorista de aplicativo com a mesma carga horária mensal, diz a Cebrap.
Ainda assim, o salário de quem pode comprar um carro é maior. Após os descontos de manutenção, o ganho médio de um motociclista é de R$ 4.037 se ele trabalhar o mês todo sem ociosidade. Com 30% do tempo sem corrida, o valor cai para R$ 2.669. Para carros, o salário médio é de R$ 5.058, e de R$ 3.083 para ociosidade de 30%.
Um dos principais gastos é com seguro, mais caro para motociclistas de app. Esse valor é de 30% a 50% maior, diz Jaime Soares, presidente da comissão de seguro auto da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais). “Mas esse percentual varia conforme a experiência estatística de cada seguradora, além de fatores como região de circulação, perfil do condutor, modelo do veículo e histórico de sinistros.” O seguro de um CG 160, uma das mais usadas por entregadores, custa entre R$ 4.300 e R$ 5.300 para esse público, segundo a entidade.
O condutor que inclui no cálculo manutenção, depreciação do veículo, reposição de capital, inflação e reservas obrigatórias “percebe que o ganho líquido real não supera um salário mínimo mensal”, diz Paulo Xavier, presidente da Fembrapp (Federação dos Motoristas por Aplicativos do Brasil). Quem não contabiliza esses custos, diz, “tende a acreditar que está faturando até quatro salários, um lucro aparente.”
Acidentes aumentam
A cada real que o trabalhador ganha, 40 centavos ficam na manutenção da motocicleta, gasto com combustível, com planos de dados, telefone celular e alimentação, diz o presidente do Sindimotosp, Gilberto Almeida dos Santos (Gil),
Em 2023, 13.477 motociclistas perderam a vida no trânsito em todo o Brasil. Foram 12% mais mortes do que em 2013, quando 12.040 motociclistas morreram em acidentes, segundo os últimos dados do Ministério da Saúde.
Entre 2014 e 2024, 60% dos hospitalizados após acidentes de trânsito eram motociclistas. Mais de 1 milhão de pessoas, segundo a Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego).
Os gastos no Sistema Único de Saúde para esse público também são altos. Só em 2024, o SUS gastou R$ 257,7 milhões com internações de motociclistas, ainda de acordo com a Abramet.
O rombo é maior porque o SUS deixou de receber os repasses anuais do DPVAT a partir de 2021. Até então, o seguro para Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre repassava 45% da arrecadação à cobertura dos custos hospitalares com vítimas de trânsito.
Naquele ano foram 310.710 indenizações, quase todos motociclistas:
79% motocicletas (245.551 indenizações)
77% homens
23% mulheres
67% por invalidez permanente (210.042 indenizações)
22% despesas médias (67.138)
11% morte (33.530).
As motos se tornaram um problema grave de saúde pública. Cada 10 leitos de UTI pelo menos 4 são ocupados por motoqueiros.
Iniciativas do poder público, como a criação da Faixa Azul, são exemplos de medidas bem-sucedidas que contribuem para a melhoria da segurança viária, diz Marcos Bento, da Abraciclo.
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