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Amazonas

Fiocruz vai testar injeção que previne HIV em Manaus e mais 6 cidades para avaliar inclusão no SUS

O medicamento será oferecido como parte de um estudo em Rio de Janeiro (RJ); Nova Iguaçu (RJ); São Paulo (SP); Campinas (SP); Salvador (BA); Florianópolis (SC) e Manaus (AM)

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Manaus é uma das cidades incluídas pela Fundação Osvaldo Cruz para testar a injeção semestral que previne o HIV em quase 100% e avaliar a viabilidade da sua implementação no Sistema Único de Saúde (SUS). Além da capital do Amazonas, a estratégia também será aplicada em mais 6 cidades do Brasil: Rio de Janeiro (RJ); Nova Iguaçu (RJ); São Paulo (SP); Campinas (SP); Salvador (BA) e Florianópolis (SC).

O medicamento, chamado lenacapvir, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último dia 12, mas ainda não está disponível no país.

O fármaco, vendido sob o nome comercial de Sunlenca, foi desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences e recebeu o aval para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), ou seja, para evitar a infecção pelo HIV, entre pessoas que não vivem com o vírus, tenham idade acima de 12 anos e peso maior que 35 kg.

Hoje, já existe uma estratégia de PrEP disponível no SUS, desde 2017, mas que envolve comprimidos diários. Eles também reduzem o risco de uma infecção a quase zero, mas o fato de precisarem ser tomados todos os dias é um entrave para a adesão.

Ainda não há previsão de lançamento e de valores do lenacapavir no Brasil. Primeiro, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo. Já a disponibilização no SUS, como ocorre com os comprimidos, depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da análise pelo Ministério da Saúde.

Para auxiliar nesse processo, a Fiocruz lançou, em 1º de dezembro do ano passado, Dia Mundial da Luta contra a Aids, o estudo ImPrEP LEN Brasil. A pesquisa conta com financiamento da Unitaid, apoio do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, e do Ministério da Saúde, além da doação do medicamento pela Gilead Sciences.

Inicialmente, o medicamento será oferecido como parte do estudo nos serviços públicos de saúde de sete cidades brasileiras: Rio de Janeiro (RJ); Nova Iguaçu (RJ); São Paulo (SP); Campinas (SP); Salvador (BA); Florianópolis (SC) e Manaus (AM). O projeto está na fase final de atividades preparatórias para, em breve, dar início à inclusão dos participantes. Mais informações estarão disponíveis no site http://imprep.org/.

O estudo é voltado a públicos-alvo mais vulneráveis à exposição ao HIV, incluindo gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens cisgênero e pessoas transgênero e não-binárias designadas como do sexo masculino no nascimento, de 16 a 30 anos, com ou sem uso prévio de outras formas de PrEP.

— Temos absoluta certeza de que o estudo ImPrEP LEN Brasil trará subsídios muito relevantes não só para buscar ampliar as alternativas de prevenção combinada no nosso país, como também para colaborar de forma importante na luta pela erradicação do HIV em todo o mundo — disse Beatriz Grinsztejn, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids, IST e Hepatites Virais (LapClin Aids) do INI/Fiocruz, atual presidente da International AIDS Society (IAS) e pesquisadora principal do ImPrEP LEN Brasil, no lançamento do estudo.

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada, que mistura diferentes ferramentas, como uso de preservativo, testagem e PrEP. Na época, a organização chamou a medida de “uma ação política histórica que poderia ajudar a remodelar a resposta global ao HIV”.

Uma questão, porém, é também o preço. Nos Estados Unidos, o tratamento custa mais de 28 mil dólares por pessoa a cada ano (cerca de R$ 150 mil na cotação atual), o que faz com que nenhum sistema de saúde tenha conseguido implementar o lenacapavir até agora.

Pelo mundo, a Gilead chegou a anunciar acordos com fabricantes para produzir e vender versões genéricas do medicamento em 120 países de alta incidência de HIV e com recursos limitados, principalmente os de média e baixa renda. A comercialização só poderá ser feita após aval das agências reguladoras dos locais.

Mas o Brasil ficou de fora, assim como outros países importantes da América do Sul, Ásia e Europa, o que foi criticado por pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, autores de um estudo que estimou que o remédio poderia ser vendido por somente 25 dólares e gerar lucro.


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