Brasil
Receita Federal publica norma que iguala fintechs a grandes bancos
A medida foi tomada após a megaoperação que revelou um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizando fintechs e 40 fundos de investimentos.

A Receita Federal (RF) publicou, nesta sexta-feira (29/8), no Diário Oficial da União (DOU), a norma que equipara o tratamento das fintechs ao dado aos bancos, com o objetivo de reforçar o combate a crimes financeiros.
Fintechs são empresas que criam modelos para o mercado financeiro por meio do uso de tecnologias.
A medida foi tomada após a megaoperação que revelou um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizando fintechs e 40 fundos de investimentos, com patrimônio de R$ 30 bilhões.
De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, somente nessa quinta-feira (28/8) foram lançados R$ 8 bilhões em infrações, mas o valor será maior ao fim da investigação.
Operações deflagradas pela PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou três operações contra o crime organizado e lavagem de dinheiro. A megaoperação teve como alvo fintechs utilizadas pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Foram três operações deflagradas na manhã dessa quinta-feira (28/8), com o objetivo de desmontar esquemas de lavagem de dinheiro.
A operação Quasar mirou uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
A operação Tank desarticulou uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná.
A operação Carbono Oculto mobilizou agentes em oito estados para cumprir mandatos de busca e apreensão contra grupo de sonegou cerca de R$ 7 bilhões.
Segundo a decisão, a norma estabelece medidas para o “combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”.
A medida ainda alega que “as instituições de pagamento e os participantes de arranjos de pagamentos sujeitam-se às mesmas normas e obrigações acessórias aplicáveis às instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional – SFN e do Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB relativas à apresentação da e-Financeira”.
“Abre brechas”
Na nota divulgada nessa quinta, a Receita apontou alguns fatores que levaram à decisão.
“Fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado, porque há um vácuo regulamentar, já que elas não têm as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações a que se submetem todas as instituições financeiras do Brasil há mais de 20 anos”, diz o texto em tom duro.
De acordo com a instituição, o crime organizado aproveita de brechas para movimentar, ocultar e “lavar seu dinheiro sujo”. O texto diz, ainda, que no ano passado a instrução normativa publicada no ano passado sobre as obrigações de transparecia foram alvo de notícias faltas e que o novo texto será claro e direto, contendo apenas quatro artigos:
O primeiro artigo vai deixar claro o intuito de combater o crime;
O segundo artigo vai afirmar, de maneira clara e direta, que as instituições de pagamento e de arranjos de pagamento (fintechs) sujeitam-se exatamente às mesmas obrigações das instituições financeiras tradicionais;
O parágrafo único do segundo artigo, fará referência expressa à Lei do Sistema de Pagamentos Brasileiro, adotando estritamente suas definições de instituições de pagamentos, arranjos de pagamento e contas de pagamento.
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