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Conferência de bispos da Amazônia reforça ideia de liturgia em diálogo com ‘cosmovisões dos povos amazônicos’

A Assembleia Geral da CEAMA reúne bispos dos nove países pelos quais se estende a floresta amazônica.

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A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) reafirmou seu propósito de “anunciar o Evangelho com rosto amazônico”, com a “continuidade do processo iniciado para a inculturação e adaptação do Rito Romano como uma exigência para o diálogo recíproco entre a tradição cristã e as cosmovisões dos povos amazônicos”, de acordo com informações do site acidigital.

Esse é um dos quatro “horizontes pastorais sinodais” definidos para o período de 2026 a 2030, segundo a mensagem final da VI Assembleia Geral da CEAMA, que reúne bispos dos nove países pelos quais se estende a floresta amazônica, realizada entre 16 e 19 de março, em Bogotá, na Colômbia.

A ideia de um rito amazônico que substitua na região o rito romano universal surgiu durante o Sínodo da Sinodalidade de 2019, convocado pelo papa Francisco. Os povos amazônicos de que fala o documento são os cerca de 2 milhões de indígenas que vivem na região, que é habitada por cerca de 30 milhões de pessoas no total.

A CEAMA também promete adotar processos de “renovação sinodal e inculturada da formação presbiteral, da vida consagrada e dos leigos”, e elaborar “itinerários de iniciação e inculturação para novos agentes e ministros na Amazônia”

A mensagem final da CEAMA diz que a tarefa da conferência “é acompanhar e articular as Igrejas locais em sua ação eclesial para consolidar uma Igreja com rosto amazônico: sinodal em sua escuta, samaritana em seu serviço, profética em seu anúncio e ecológica no seu cuidado da Casa Comum, impulsionando o protagonismo de seus povos na busca de novos caminhos para a Igreja na instauração do Reino”.

“Esta formulação ratifica nosso compromisso com as orientações do Sínodo para a Amazônia, buscando ser aquele organismo que promove a sinodalidade e a ecologia integral na região”.

‘Horizontes pastorais sinodais’

Para crescer como Igreja sinodal, um dos “horizontes pastorais sinodais” definidos pela CEAMA, a conferência eclesial visa a “conversão das relações e práticas comunitárias em chave sinodal, promovendo novos ministérios”; o “reconhecimento e valorização da ministerialidade da mulher”; o “protagonismo dos jovens amazônicos como sujeitos eclesiais e territoriais” e desenvolver “um programa de cuidado integral e sustento digno dos agentes pastorais”.

A ordenação de homens casados e de mulheres na região foi uma das reivindicações dos participantes do Sínodo da Amazônia. Nenhuma delas foi acolhida na exortação apostólica Querida Amazônia, escrita com base no documento final do sínodo pelo papa Francisco.

A CEAMA pretende realizar “uma pedagogia pastoral e do ministério do cuidado da casa comum para viver a ecologia integral nas comunidades”; “Apoiar e incentivar ações de denúncia e incidência que visem garantir o acesso à água de qualidade, para uma vida digna das comunidades amazônicas” e desenvolver “um programa de liderança para indígenas, mulheres, jovens e atores territoriais”.

As recomendações da última ação: Incentivar a comunhão e a sustentabilidade, segundo a Conferência “têm caráter permanente”. A primeira proposta desse “horizonte” é sobre a animação e comunhão, e visa “fortalecer o vínculo com o santo padre e os Dicastérios da Santa Sé, bem como de impulsionar as assembleias eclesiais e os espaços de diálogo ecumênico, intercultural e inter-religioso. Recomenda-se a divulgação do trabalho da CEAMA junto às Conferências Episcopais e às Igrejas locais para estreitar os laços de unidade e comunhão eclesial”.

O segundo ponto dessa ação é a comunicação que, segundo o CEAMA, precisa “articular e difundir as boas práticas das Igrejas locais, facilitando sua adaptação a diversas realidades”.

“Propõe-se que a CEAMA atue como uma ponte que comunique a identidade e a ação amazônica à Igreja universal e a outros atores, como universidades, organizações sociais, instâncias públicas etc. Da mesma forma, insta-se para que a comunicação não seja apenas uma ferramenta acessória, mas um eixo transversal de toda a atividade pastoral”, disse a Conferência.

O terceiro ponto da ação é a formação, no qual o CEAMA “recomenda-se organizar experiências de conexão e fortalecer os projetos institucionais de centros educacionais e de formação”. O último ato sugerido pela Conferência é a sustentabilidade que pretende “preparar as pessoas das jurisdições eclesiásticas e enfatiza-se a necessidade de estruturar diversas formas de sustentação dos agentes pastorais”.

“Essa priorização orientará a nova presidência na elaboração de um plano de ação, levando em conta também critérios de processo, recursos, interdependências e sinergias, entre outros”, destacou a CEAMA.

A nova presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) foi eleita no dia 18 de março, durante a VI Assembleia Geral da CEAMA. O novo presidente será o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner. Seu mandato será até 2030. Os vice-presidentes serão: o padre do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado, no Peru, Jesús Huamán Conisilla.; o leigo do Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez, na Bolívia, Juan Urañavi; a leiga da diocese de Georgetown, na Guiana, Marva Joy Hawksworth; e a religiosa brasileira, irmã Sônia Maria Pinho de Matos, da arquidiocese de Manaus.


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