Brasil
PF indicia ex-assessor de Moraes em investigação sobre diálogos do ministro
PGR analisará o relatório para determinar se há elementos suficientes para apresentar denúncia à Justiça

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
A Polícia Federal indiciou Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por violação de sigilo funcional com dano à administração pública. O inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta terça-feira (1º).
O ex-assessor foi investigado pela divulgação de diálogos do ministro com servidores do TSE e do STF.
Para a Polícia Federal, Tagliaferro “praticou, de forma consciente e voluntária, a violação do sigilo funcional – sendo que ele ocupava função de confiança na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no Tribunal Superior Eleitoral”.
No documento de 21 páginas, a PF reuniu arquivos do celular do ex-assessor para apontar que vazamento ocorreu de forma proposital.
A PF afirmou que “o diálogo deixou evidente que Tagliaferro divulgou ao jornalista informações que foram obtidas enquanto ele laborava na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Estas informações deveriam ser mantidas em sigilo”, diz o relatório.
“Portanto, é necessário concluir que o intento da publicidade daquelas informações era arranhar a imagem do Ministro do STF, questionar-lhe a imparcialidade na condução dos procedimentos mencionados na Suprema Corte e, por fim, turbar ainda mais o cenário político-social do país, de modo que as investigações acerca das organizações criminosas não seguissem o curso natural”, complementa.
Agora, a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisará o relatório da PF e decidirá se há elementos para apresentar denúncia à Justiça, se solicitará mais diligências ou se arquivará o caso.
A CNN busca contato com a defesa do indiciado.
Relembre
O caso passou a ser investigado pela PF após conversas do ministro indicarem que Moraes teria usado o TSE para investigar bolsonaristas, conforme reportagem do jornal Folha de S. Paulo.
Segundo as mensagens e a reportagem, o setor de combate à desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi acionado de forma não oficial pelo gabinete do ministro do Supremo durante e após as eleições de 2022.
As mensagens com pedidos informais teriam sido enviadas por Airton Vieira a Eduardo Tagliaferro, um perito criminal que à época chefiava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) no TSE. Tagliaferro deixou o cargo em maio de 2023, após ser preso sob suspeita de violência doméstica contra a esposa.
Os diálogos teriam mostrado ao menos vinte casos em que o gabinete de Moraes solicita de maneira extraoficial a produção de relatórios pelo TSE.
Em nota, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes esclareceu que, no curso das investigações, diversas determinações, requisições e solicitações foram feitas a inúmeros órgãos, inclusive ao TSE. “Os relatórios simplesmente descreviam as postagens ilícitas realizadas nas redes sociais, de maneira objetiva, em virtude de estarem diretamente ligadas às investigações de milícias digitais”.
“Todos os procedimentos foram oficiais, regulares e estão devidamente documentados nos inquéritos e investigações em curso no STF, com integral participação da Procuradoria Geral da República”, encerra o texto.
Com informações da CNN
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