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Amazonas

Bomba na educação! Esquema bilionário de compra de livros começou no Amazonas, envolve empresa investigada pela Polícia Federal e chega a Minas Gerais

No centro dessa estrutura aparece a empresa SUDU Tecnologia Educacional, que já foi alvo de operação da Polícia Federal e surge ligada a contratos milionários de fornecimento de material educacional em diferentes estados do país.

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Um esquema bilionário de compra de livros para redes públicas de ensino começa a ganhar contornos de escândalo nacional e tudo indica que a engrenagem começou em Manaus.

No centro dessa estrutura aparece a empresa SUDU Tecnologia Educacional, que já foi alvo de operação da Polícia Federal e surge ligada a contratos milionários de fornecimento de material educacional em diferentes estados do país.

Agora, novas denúncias apontam que o mesmo grupo empresarial pode estar por trás de contratos que movimentam centenas de milhões de reais no Amazonas, no Pará e, mais recentemente, em Minas Gerais.

O caso mais recente explodiu em Minas Gerais.

Um contrato de R$ 348.437.747,96 para compra de livros escolares passou a ser alvo de investigação pelos órgãos de controle.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) acionou o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e o Ministério Público de Minas Gerais para investigar a contratação feita pelo governo estadual.

O contrato, de número 9492760/2025, foi assinado em 23 de dezembro de 2025 às vésperas do Natal, período em que decisões administrativas costumam passar praticamente despercebidas pela opinião pública.

O que parecia apenas mais uma compra de livros começa agora a revelar uma engrenagem muito maior.

Empresa foi alvo da Polícia Federal

A empresa SUDU Tecnologia Educacional, apontada como uma das protagonistas dessa rede de contratos, já esteve no radar das autoridades federais.

No dia 1º de outubro de 2024, a Polícia Federal deflagrou uma operação no Amazonas.

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da empresa, localizada na rua Belém, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul da capital amazonense.

Na época, a empresa mantinha contratos que somavam valores milionários.

A operação foi aberta para investigar possíveis irregularidades nessas contratações, embora os detalhes completos das suspeitas não tenham sido divulgados naquele momento.

Mesmo após ter sido alvo da operação policial, contratos ligados ao mesmo grupo empresarial continuaram surgindo em outros estados do país.

Uma engrenagem que começou no Amazonas

Levantamentos e cruzamentos de contratos indicam que a estrutura de negócios envolvendo grandes compras de livros educacionais ganhou força inicialmente no Amazonas.

Contratos milionários envolvendo a empresa SUDU criaram uma estrutura de fornecimento de material didático para governos estaduais.

O modelo de contratação seguia um padrão recorrente:

1️⃣ grandes compras de acervos educacionais
2️⃣ adesão a atas de registro de preços de outros estados
3️⃣ contratos globais sem transparência clara sobre valores unitários

Esse formato acabou se transformando em um modelo de expansão empresarial.

O modelo avança para outros Estados

Depois do Amazonas, contratos semelhantes começaram a surgir no Pará, também envolvendo fornecimento de materiais educacionais em grande escala.

Grande parte dessas contratações utilizou o mecanismo conhecido como “carona em ata”.

Esse mecanismo permite que um órgão público utilize uma licitação realizada por outro órgão, sem precisar abrir um processo próprio.

Na prática, isso significa que um governo pode contratar centenas de milhões de reais aderindo a uma licitação feita em outro estado.

Especialistas em controle público alertam que, quando esse mecanismo é usado em grande escala, ele pode:

* reduzir a concorrência
* limitar a transparência
* favorecer empresas específicas

O caso explode em Minas Gerais

Agora o mesmo modelo aparece novamente, desta vez em Minas Gerais.

O governo estadual assinou um contrato de R$ 348 milhões com a empresa Fazer Educação Ltda. para fornecimento de acervos bibliográficos.

Segundo a denúncia apresentada na Assembleia Legislativa mineira, o contrato apresenta três pontos considerados graves.

1️⃣ Falta de planejamento

O contrato não consta no Plano Anual de Contratações da Secretaria de Educação para 2025, documento que deveria listar todas as compras previstas pelo governo.

2️⃣ Ausência de licitação própria

Em vez de realizar uma licitação própria, o estado aderiu a uma ata de registro de preços da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), de São Paulo.

3️⃣ Falta de transparência nos preços

A contratação foi feita de forma global, sem detalhamento claro do valor individual de cada livro adquirido.

Isso dificulta verificar se os preços pagos estão compatíveis com o mercado.

O detalhe que levanta as maiores suspeitas

O ponto que mais chamou atenção de investigadores e parlamentares é a ligação entre empresas envolvidas em contratos de diferentes estados.

Segundo as denúncias:

* contratos no Amazonas envolveram a SUDU
* contratos no Pará aparecem ligados ao mesmo grupo
* em Minas Gerais surge a empresa Fazer Educação

O detalhe mais intrigante:

➡️ o CNPJ utilizado estaria associado à mesma estrutura empresarial da SUDU.

Ou seja:

A empresa muda de nome.

Mas a estrutura empresarial permanece a mesma.

Se confirmado, isso indicaria a atuação de um único grupo econômico operando contratos milionários em diversos estados brasileiros.

Os números do negócio

Levantamentos preliminares apontam contratos que, somados, alcançam valores bilionários.

Entre os registros identificados estão:

* contratos superiores a R$ 256 milhões
* contratos acima de R$ 180 milhões
* contratos na casa de R$ 90 milhões
* atas de registro de preços que ultrapassam R$ 490 milhões

Somados, os contratos analisados ultrapassam R$ 2,8 bilhões em operações envolvendo a compra de livros escolares.

Seguir o caminho do dinheiro

Para especialistas em controle público, esclarecer o caso exige seguir o caminho do dinheiro.

Uma investigação aprofundada deveria analisar principalmente o destino das margens comerciais obtidas nas operações envolvendo as empresas SUDU e Fazer Educação.

Entre os pontos que precisam ser examinados estão:

* eventuais repasses para sociedades em conta de participação (SCPs)
* transferências para sociedades anônimas ligadas ao mesmo grupo empresarial
* pagamentos a outras editoras ou empresas envolvidas na cadeia de fornecimento
* e até eventuais saques em espécie, prática frequentemente associada à ocultação de recursos.

O rastreamento dessas movimentações pode revelar quem realmente lucra com o negócio bilionário da compra de livros escolares.

Educação ou negócio bilionário?

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais afirma que a situação causa indignação entre professores.

Enquanto contratos de centenas de milhões de reais são assinados para compra de livros, profissionais da rede pública continuam enfrentando:

* salários defasados
* falta de valorização profissional
* escolas com problemas estruturais

Um escândalo que pode ser nacional

Se confirmadas as conexões entre contratos no Amazonas, Pará e Minas Gerais, o caso pode revelar uma engrenagem nacional de compras públicas de livros operada pelo mesmo grupo empresarial.

Uma engrenagem que começou em Manaus.

E que agora começa a chamar atenção em todo o país.

A pergunta que as investigações terão que responder é simples e explosiva:

Estamos diante de um grande projeto educacional…
ou de um esquema bilionário escondido dentro da compra de livros escolares?


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