Amazonas
Atlas ODS AM analisa 42 indicadores nos 62 municípios, informa Ufam
Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) nasceram junto com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU)
O Atlas ODS Amazonas, que territorializa o alcance desses ODS, teve sua última edição lançada na segunda-feira, 2, no auditório Vitória Régia do Centro de Ciências do Ambiente da Universidade Federal do Amazonas (CCA/Ufam), em versões impressa e digital interativa. A produção técnica sistematiza 42 indicadores relacionados aos 17 ODS para cada um dos 62 municípios do estado.
Veja o portal da publicação aqui.
Em linhas gerais, o compilado técnico-científico é um guia prático para o planejamento municipal, tornando-se um aliado no processo de elaboração de políticas públicas nas cidades. “Por meio de um indicador síntese de elaboração própria, o Índice de Desenvolvimento Sustentável Municipal (iODS), o material permite que gestores avaliem o desempenho das cidades em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e governança, facilitando a identificação de prioridades e o direcionamento assertivo de investimentos”, diz o resumo.
Representando a Administração Superior da Universidade, o vice-reitor, professor Geone Maia, deu ênfase ao papel da pesquisa de alto nível na universidade pública federal, onde nascem soluções para os problemas sociais de toda ordem. “É um evento importantíssimo para a Universidade Federal do Amazonas. O Atlas começou como um projeto de extensão e hoje conta com um grupo de analistas composto por técnicos, docentes e discentes. Ele mede os indicadores da ODS considerando 17 objetivos. Este último agregou o objetivo 18, específico para a matriz Amazônia do projeto. Aliado ao poder público, o trabalho gera dados que auxiliam a criação de políticas públicas”, disse.
Além de disponibilizar os resultados da pesquisa e da sistematização no portal interativo iodsamazonas.com.br, a equipe do projeto obteve recurso para a impressão de mil exemplares do ODS Atlas Amazonas. Uma das parcerias mais significativas foi com a Procuradoria do Estado do Amazonas (PGE-AM). O procurador do Estado Geraldo Uchôa, vinculado à Procuradoria do Meio Ambiente naquele órgão, participou do lançamento.
Avanços
A pesquisa é gerida pelo professor Henrique Pereira, docente vinculado à Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) e atual diretor-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “O início do projeto Altas ODS Amazonas foi em maio de 2019, como um projeto básico do doutoramento do pós-graduando Danilo Egle, hoje docente na Ufam, e do trabalho de mestrado do Bruno Lorenzi. Naquela altura, a agenda 2030 ainda era uma grande desconhecida do público em geral. Nosso trabalho, além de produzir o que nós chamamos de territorialização e localização da agenda 2030, também serviu muito para a popoularização dessa pauta”, recorda o coordenador geral.
Ainda segundo o professor Henrique Pereira, a expansão rápida do projeto, sobretudo depois de a inteligência artificial ser integrada aos processos. “Nós estamos entregando hoje a versão impressa de um trabalho que foi concluído ainda em 2025, com mais de 40 indicadores para todos os municípios do estado. A novidade de hoje [2 de fevereiro] é uma versão ampliada para os mais de 700 municípios da Amazônia Legal e com a análise de mais de 100 indicadores. A novidade das novidades é a ODS 18. O Brasil lançou mais um ODS, o da Igualdade Racial. O Atlas já traz sete indicadores capazes de mensurar a evolução desse novo indicador”, completou o pesquisador.
Responsável pela gestão técnica do Atlas, o professor do curso de Relações Públicas da Ufam Danilo Egle resumiu o modo de trabalho da equipe para prover e disponibilizar dados que podem ser interpretados e aplicados no desenvolvimento de políticas públicas integradas que contemplem as diversas áreas da gestão. Entre os resultados apontados pela equipe técnica no Amazonas, o destaque foi para os gargalos identificados em setores como saneamento básico e conectividade digital.
A metodologia aplicada conduziu a um diagnóstico apto a auxiliar o poder público, na medida em que este fará planejamento baseado em evidências científicas que seja capaz de atacar os principais problemas e transformar a realidade local. “O projeto perdurou com o nome ODS Atlas Amazonas até o mês de maio de 2025, quando passamos a adotar o nome ‘Atlas ODS Amazônia’, porque expandimos o alcance do trabalho para centenas de municípios da Amazônia Legal”, esclareceu o professor Danilo Egle, coordenador técnico.
Escopo ampliado
O ‘Atlas ODS Amazônia’ é hoje o projeto-mãe de onde são extraídos dados e informações que compõem o ‘Atlas ODS Amazonas’, este voltado especificamente ao diagnóstico das cidades amazonenses no cumprimento dos indicadores de desenvolvimento sustentável. Em termos comparativos, enquanto o apanhado estadual organiza 42 indicadores em pouco mais de 60 cidades, o levantamento ampliado contém 109 indicadores para os mesmos 17 ODS, alcançando exatos 773 municípios ao longo da Amazônia Legal.
Em síntese, a metodologia de análise dos indicadores e a forma de apresentação dos resultados das pesquisas busca subsidiar o planejamento municipal e fortalecer decisões baseadas em evidências nos 62 municípios amazonenses. O evento contou também com a fala da representante do Governo Estadual Viviane Alves, que é sub-coordenadora setorial do Social da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). Em sua fala, ela destacou o quanto as informações organizadas em instrumentos resultantes da investigação acadêmica são importantes para subsidiar a elaboração de políticas públicas e, inclusive, indicar quais as questões são mais prioritárias a depender da localidade.
Saiba mais
A base para a busca de informações nacionais e relativas aos municípios amazônicos parte do estudo “ODS – Metas Nacionais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: proposta de adequação”, liderado e desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2018, em colaboração com 75 órgãos governamentais e técnicos do governo federal. O trabalho surgiu a partir de uma demanda da Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e visa apoiar políticas públicas e programas nacionais de desenvolvimento.
O projeto foi lançado no dia 31 de maio de 2019 como resultado de uma pesquisa de pós-doutoramento no Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (PPGCASA), da Universidade Federal do Amazonas. Como fruto dessa pesquisa, o Atlas está materializado em uma plataforma digital de visualização de dados públicos e de fácil acesso para qualquer cidadão. A ferramenta de análise e visualização de dados utilizada é o Google Data Studio.
Os objetivos do estudo são diversos e começam pela necessidade de localização dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Segundo a página do projeto, a ONU define esse processo como fundamental para o início das transformações das realidades hoje existentes, já que o tratamento dos problemas e questões em escala local é facilitado quando comparado ao território dos países.
Outros objetivos do projeto incluem: promover a governança cooperativa, onde setores da sociedade possam se informar melhor e colaborar com a gestão pública local; justificar novas tomadas de decisão governamental com base em dados e evidências; desenvolver conjuntos de indicadores específicos para os territórios da Amazônia; destacar casos de sucesso e boas práticas; e alertar para realidades que precisam ser investigadas e enfrentadas. Visite a página https://www.atlasodsamazonas.ufam.edu.br/.
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