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Porto Velho é encoberta pela mesma fumaça de queimadas do Amazonas que vem afetando Manaus há semanas

Segundo prefeitura da capital de Rondônia, informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) atestam que a fuligem foi transportada pelos ventos.

Foto: Divulgação/Prefeitura Porto Velho

Depois de semanas com a fumaça de queimadas do Amazonas encobrindo Manaus (AM), chegou a vez de Porto Velho (RO) ser a vítima da mesma poluição. Nesta terça (13), o horizonte do Rio Madeira, que corta a cidade, era pouco visível, em meio à imagem turva. A prefeitura disse que informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmam o transporte da fumaça através dos ventos.

Na tarde desta terça, a qualidade de ar de Porto Velho está em um nível pior que de Manaus, que nas últimas semanas ostentou a marca negativa de ar mais poluído do Brasil. De acordo com a IQAir, empresa suíça que monitora os níveis de poluição atmosférica, o índice na capital rondonense às 15h era de 107 US AQI, parâmetro usado nos EUA, enquanto Manaus marcava 103 US AQI.

Nos valores US AQI, a faixa entre 100 e 150 aponta uma condição de ar “insalubre para grupos sensíveis”, como crianças, idosos e gestantes. A faixa acima de 300, que foi registrada em Manaus na última semana, é considerada “perigosa” e de “risco extremo”.

Além desse parâmetro, Porto Velho registra, segundo o IQAir, concentração de 38 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas (PM2.5), nesta tarde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite recomendável de PM2.5 é uma concentração de 15 (µg/m³), na média de 24 horas.

Fumaça no Amazonas

A fumaça está vindo das queimadas da Amazônia, dia a prefeitura de Porto Velho, que também destacou que o “cenário é agravado pela estiagem e pela baixa umidade”. A Secretaria de Meio Ambiente orientou a população a manter a hidratação, umidificar os ambientes e redobrar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Desde setembro, incêndios vem acontecendo predominantemente no interior amazonense e na calha ao sul de Manaus e na Região Metropolitana, em municípios como Careiro, Careiro da Várzea e Autazes.

Estatísticas do Painel do Fogo, vinculado ao Ministério da Defesa, mostram que nos primeiros dez dias de outubro o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, volume quase quatro vezes superior ao observado no mesmo período do ano passado. Mapeamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais, da UFRJ, indica que a área queimada no estado acumulou 122.794 hectares nos primeiros nove dias de outubro, valor 97,3% acima da média histórica para todo o mês de outubro.

Já em Porto Velho, os dados do Inpe apontam redução de 32,8% na comparação do período entre janeiro deste ano e do ano passado. Em 2025 foram 1.013 registros de foco de queimada nesse intervalo de tempo, e em 2026 são 680.

A Prefeitura de Porto Velho complementou que mantém ações de prevenção e combate a incêndios, incluindo fiscalização, conscientização ambiental, intensificação de vistorias e contratação de organização especializada no combate a incêndios.

Efeito do El Niño

Pesquisadores apontam que a severidade das queimadas no Amazonas é agravada pela estiagem que atinge a Região Norte, associada aos efeitos do El Niño e às altas temperaturas. O prolongamento da seca reduz a umidade da vegetação, transforma a matéria orgânica do solo em combustível seco e dificulta a dispersão da poluição atmosférica nas cidades atingidas. As operações devem prosseguir ao longo desta semana sem previsão de normalização imediata das condições climáticas na região.

Com informações do O Globo


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