Brasil
CNJ afasta juiz que propôs venda do Banco Santos ao Master
Paulo Furtado foi retirado do processo após sugestão de venda do banco e troca de advogados.
O corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell, afastou o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências de São Paulo, responsável pela condução da falência do Banco Santos. A decisão foi publicada na 4ª feira (12.ago.2026). Detalhes da ordem do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) estão sob sigilo.
O afastamento ocorreu após o Estadão revelar a gravação de uma reunião entre Furtado e herdeiros do banqueiro Edemar Cid Ferreira. No áudio, o juiz sugeriu a venda do Banco Santos ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, e indicou advogados para a família contratar. O encontro aconteceu em agosto de 2024, sem a presença da defesa dos herdeiros, meses após a morte de Edemar.
Quando questionado pela reportagem do Estadão a respeito da gravação, negou irregularidades e afirmou prestar atendimento “igualitário” às partes. Acrescentou que suas decisões vinham sendo confirmadas em instâncias superiores.
O Poder360 procurou Paulo Furtado, via e-mail, para perguntar se gostaria de emitir uma declaração sobre o assunto. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Reunião e conduta questionada
O encontro foi organizado por um administrador judicial sem procuração para representar qualquer parte do processo. A conduta é considerada imprópria e deveria ser apurada pelo CNJ. Na ocasião, Furtado sugeriu mais de uma vez que a venda ao Master seria a melhor solução para encerrar o processo. Disse ainda que a família deixaria o caso e que abriria mão de ações de responsabilização movidas contra os herdeiros de Edemar.
Os filhos do banqueiro, Rodrigo, Eduardo e Leonardo, estavam presentes.
À época, o escândalo envolvendo o Banco Master ainda não havia vindo à tona; Daniel Vorcaro só seria preso em 2025.
No mesmo dia do afastamento, a Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo ordenou uma correição extraordinária no gabinete de Furtado, uma espécie de auditoria surpresa. Os advogados do juiz entregaram à Corregedoria e ao CNJ um documento atestando que os processos de sua vara estavam em dia. Eles também comunicaram ao corregedor-nacional que o magistrado estava disponível para ir a Brasília e prestar esclarecimentos pessoalmente.
Suspensão da falência e afastamento do síndico
Ainda em julho, Campbell havia atendido a pedido da família de Edemar e suspendido a falência do banco. Na mesma ocasião, afastou o síndico Vânio Aguiar, responsável por administrar a massa falida do Banco Santos.
Os herdeiros de Edemar também haviam pedido o afastamento de Furtado. O juiz foi mantido no cargo naquele momento, mas o CNJ cobrou dele esclarecimentos sobre uma série de acusações de irregularidades feitas pela família ao órgão.
Em suas manifestações no processo, a defesa do síndico afirmou que Edemar tentava atribuir culpa à administração da falência “depois de ver desbaratado seu esquema de ocultação de obras de arte no exterior, de arrecadação de seus bens em nome de offshores e de falsas doações por sua cônjuge de recursos vindos do além-mar”.
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